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Não há Principezinhoa

Não há Principezinhos

Já não há Principezinhos que queiram descer dos seus pequenos Planetas, que nos queiram visitar de novo, para assim nos devolverem o sonho e a esperança.
Será que o Antoine de Saint-Exupéry, alguma vez deixou de estar triste depois que o seu Principezinho resolveu partir? Receio bem que não…
As pessoas grandes, que se julgam adultas, estão cada vez mais estranhas. Defendo a tese de que da sua irracionalidade marcante, nasceu um novo órgão que substituiu o coração. Esse órgão tem o mesmo aspecto rugoso do coração, os cardiologistas continuam a chamá-lo teimosamente pelo mesmo nome, mas desconfio que esse orgãozinho estranho que bate no peito e que é vital, é de facto um órgão transformado. Bate à mesma no seu batuque ritmado, só que em vez de sangue, bombeia insistentemente um liquido assassino, da mesma cor rubra e espessa, transformando os seres humanos em seres desumanamente assassinos e insensíveis. É uma questão de tempo até que um qualquer cientista mais perspicaz o descubra, finalmente…
Por mais que eu fuja para o deserto à procura do tal Principezinho que resolveu partir, (ele era tão fabuloso…) encontro sempre a mesma neblina espessa.
Nem por uma só vez vislumbrei o clarão que o levou um certo dia, nem tão pouco encontro qualquer marca da sua queda na areia. Se caiu devagarinho como caiam as árvores, tinha que deixar um vestígio por mais insignificante que fosse, só que eu ainda não consegui encontrá-lo. É talvez por eu ser já adulta e ele achar todos os adultos muito estranhos…
Porque haveria de querer dialogar comigo, o tal Principezinho, tão sábio e tão prudente?
Mas o que é um facto é que procuro avidamente, sempre com alguma esperança. Apesar de tanta tentativa infrutífera vou continuar nessa busca. Para já o que encontro é…
Ruas que estão cada vez mais escura onde vagueiam apenas fantasmas. Ouço gritos alucinantes de revolta. Vejo homens perdidos a vaguear pelas sombras da noite como se fossem gatos escorraçados, que cada vez mais se fecham no seu casulo pensando em novas formas de vingança. Querem destruir o Planeta. Cada vez mais sustentam uma ideia fixa:
>> O de promover a guerra e a destruição!>>
Veja-se o que se passa no Iraque. Praticam-se assassinatos em série, promove-se a violência gratuita numa brincadeira predilecta, como se fossem crianças a brincar ao berlinde. Veja-se a insensatez da invasão do Líbano. Destroem-se casas e vidas humanas, o mundo assiste pávida e serenamente, como se assistisse ao um belo fogo de artifício.
Veja-se a turbulência constante do Médio Oriente. A fome em África, as guerras que se promovem a toda a hora como se os homens jogassem com peças humanas o seu mais belo xadrez. Os homens crescidos são de facto cada vez mais estranhos…
São esses tais homens, com o tal orgãozinho assassino, que determinaram certamente há muito tempo que os mares são para continuar a poluir. As florestas para devastar e atear fogos. Os rios para golpear com detritos e dejectos nauseabundos. Os animais para se extinguir ou então se aprisionarem.
Em vez de oceanos, profundos e imensos, há-de chegar o dia em que haverá apenas pequenos “oceanários” colocados em recintos embelezados para disfarçar toda a incúria do homem. São bonitos esses oceanários. O pior é que eu nasci num País onde os subsídios acabam por dá cá aquela palha. E se um dia determinam que já não há espaço para esses oceanários porque os políticos querem mais um punhado de impostos?
A beleza também tem que se pagar. Paga-se por nascer, paga-se por passear em jardins, paga-se para nos tratarem dos esgotos que logo a seguir vão golpear de morte os rios da nossa cidade. A classe média só existe para pagar impostos. Não sei se é esse o meu caso… Desconfio bem que sim, portanto a minha denúncia vale o que vale. E então, depois…?
Posso ser suspeita, o que não deixo é de ter alguma razão.
O som das armas, dos mísseis, são a melodia predilecta, desses tais homens e em cada amanhecer estão sempre à espera de desencadear uma nova guerra.
Já não há Principezinhos que queiram descer dos seus pequenos Planetas, que nos queiram visitar de novo, para assim nos devolverem o sonho e a esperança.
Mas… se acaso algum descer, espero… que desça no mesmo deserto onde tanto procuro, já que eu preciso que ele me leve daqui. Tudo quanto me circunda me assusta terrivelmente. Quero partir para a sua pequena galáxia, mesmo que no seu Planeta só caibamos nós os dois.
Será que posso levar uma rosa? Preciso apenas de uma, gentia e perfumada, de preferência a que me nasceu no jardim sem eu saber como porque conserva o perfume das rosas verdadeiras. Daquelas rosas magníficas que me lembro desde os tempos de infância.
Se não puder levar nada… não faz mal. Só quero sair daqui. Receio que o meu coração se transforme a qualquer momento nesse tal orgãozinho diferente que bombeia um liquido assassino e transforma os seres humanos. Será que o meu… ainda é um coração verdadeiro?
Autoria: Vóny Ferreira
Escrito a 25/8/2006

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domingo, maio 18, 2008 - 04:59

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Comentários

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Re: Não há Principezinhoa

O seu coraçao, Vony, nunca deixara de ser verdadeiro.
Nao sei como nao tinha visto ainda este texto. Magnifico, mas de um profundo desalento.
Eu acredito, que tudo tem um motivo oculto.
Que tudo na vida, por mto estranho, ou absurdo, tem uma razao de ser.
o caos, terá obrigatoriamente de resultar numa mudança de consciencias.
Acredito ainda, em principezinhos no deserto.

por ser um livro q marcou a minha infancia, ofereci-o ha dias à minha filha, pelo seu aniversario.
este texto, suscitou em mim uma vontade irresistivel de o reler!
um gde beijinho

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Re: Não há Principezinhoa

confesso nao li jamais o princepezinho, porem digo te linda, se a mesmissima bela adormecida, acordar hoje do seu palacio, e se encontrar no meio da cidade, onde ande arrastando seus trages, com todas as verdades que despes, apenas compreenderia que as joias da sua coroa nao servem para estas viagens...
parabens

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