CONCURSOS:
Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia? Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.
Em Tudo Tem Poesia
Há livros que apresentam poemas; Em "Tudo Tem Poesia" (2026), de Marcos Lizardo, apresenta uma maneira de existir. Desde os primeiros versos, a obra convida o leitor a abandonar a percepção utilitária da realidade para reencontrá-la sob a luz da sensibilidade. Não é casual que o poema inaugural afirme: "Tem poesia no cio / No frio do rio / No fio da luz". Nessa sucessão de imagens, a poesia deixa de ser mero gênero literário e passa a constituir um modo de perceber o mundo, capaz de habitar o ordinário, o invisível e até mesmo o contraditório.
O livro desenvolve uma vigorosa metapoesia. A poesia não é apenas escrita: é interrogada, desafiada, defendida e redefinida ao longo de toda a obra. Em um dos momentos mais expressivos, o autor afirma que "Poesia é palavra arrancada de dentro", imagem que traduz sua concepção de criação artística como experiência visceral. O poema nasce menos da técnica que da necessidade interior, como algo que "vive cantando dilacerada aqui dentro do peito". Essa dimensão orgânica aproxima a escrita de Marcos Lizardo da tradição dos grandes poetas reflexivos brasileiros, para os quais a poesia é destino antes de ser ofício.
A obra também se destaca pelo constante diálogo entre lirismo e filosofia. Questões sobre tempo, memória, morte, amor e identidade atravessam os poemas sem jamais assumirem caráter doutrinário. Ao contrário, cada resposta gera novas perguntas. Em Busca da Poesia, por exemplo, o poeta sintetiza seu pensamento ao afirmar que a poesia "não tem ciência, só essência"; já em outro momento reconhece que "a poesia a gente sente", recusando qualquer tentativa de aprisioná-la em definições conceituais. Essa consciência do limite da linguagem confere ao livro um tom existencial que acompanha toda a leitura.
Entre os temas recorrentes, o tempo ocupa posição privilegiada. Em Tempo que Rói, a passagem dos anos deixa de ser abstração para tornar-se força concreta que "rói os ossos", "embranquece os cabelos" e devolve tudo ao seu domínio. A imagem é simples, mas profundamente simbólica: o tempo não apenas passa; ele transforma, consome e restitui cada existência à própria transitoriedade. Da mesma forma, em diversos poemas, a memória surge como espaço simultaneamente de permanência e perda, revelando que lembrar é também experimentar novas formas de ausência.
Outro aspecto marcante é a recorrência da solidão como condição humana. Em passagens de intensa beleza melancólica, o poeta confessa que "há tanto que ando exilado cá dentro de mim" ou descreve a tristeza como uma paisagem onde "faz frio onde não rio mais". São versos que evitam o sentimentalismo fácil porque se apoiam numa reflexão madura acerca da fragilidade da existência. A dor nunca aparece como espetáculo, mas como matéria inevitável da experiência humana.
Formalmente, Marcos Lizardo demonstra grande domínio do ritmo e da sonoridade. Emprega aliterações, paralelismos, enumerações e repetições que imprimem musicalidade constante aos poemas. Em Coloquial, por exemplo, o desfile quase lúdico das palavras transforma o vocabulário em protagonista, revelando prazer evidente com a matéria sonora da língua portuguesa. Ao mesmo tempo, poemas longos e meditativos convivem harmoniosamente com composições breves e contundentes, conferindo variedade ao conjunto.
Merece destaque, ainda, a honestidade estética do autor. Sua poesia não procura impressionar pelo hermetismo nem pela obscuridade deliberada. Ao contrário, nasce da simplicidade de quem observa profundamente. Quando escreve "Minha casa é a poesia" ou reconhece que "Haja poesia / Para suportar essa falta", Marcos Lizardo revela que a palavra poética não constitui fuga da realidade, mas possibilidade de habitá-la com maior intensidade.
Ao longo da leitura, percebe-se que cada poema dialoga com os demais, formando uma arquitetura coerente. A obra inteira parece responder à pergunta formulada pelo próprio autor na introdução: "Poesia para quê?". A resposta nunca é explícita, mas emerge da experiência proporcionada pelo livro: a poesia serve para preservar a humanidade diante do desgaste do tempo, da violência do cotidiano e do silêncio que tantas vezes ameaça a palavra.
Ao concluir Em Tudo Tem Poesia, o leitor compreende que o título encerra mais que uma afirmação: revela uma escolha ética e estética. A poesia não está pronta nas coisas; manifesta-se no olhar capaz de reconhecê-la. Marcos Lizardo demonstra possuir esse olhar raro e generoso, transformando o cotidiano em matéria lírica e fazendo da palavra um espaço de resistência, beleza e permanência. Seu livro confirma que, enquanto houver quem escreva e quem leia versos como estes, haverá sempre uma forma de reinventar o mundo.
O livro desenvolve uma vigorosa metapoesia. A poesia não é apenas escrita: é interrogada, desafiada, defendida e redefinida ao longo de toda a obra. Em um dos momentos mais expressivos, o autor afirma que "Poesia é palavra arrancada de dentro", imagem que traduz sua concepção de criação artística como experiência visceral. O poema nasce menos da técnica que da necessidade interior, como algo que "vive cantando dilacerada aqui dentro do peito". Essa dimensão orgânica aproxima a escrita de Marcos Lizardo da tradição dos grandes poetas reflexivos brasileiros, para os quais a poesia é destino antes de ser ofício.
A obra também se destaca pelo constante diálogo entre lirismo e filosofia. Questões sobre tempo, memória, morte, amor e identidade atravessam os poemas sem jamais assumirem caráter doutrinário. Ao contrário, cada resposta gera novas perguntas. Em Busca da Poesia, por exemplo, o poeta sintetiza seu pensamento ao afirmar que a poesia "não tem ciência, só essência"; já em outro momento reconhece que "a poesia a gente sente", recusando qualquer tentativa de aprisioná-la em definições conceituais. Essa consciência do limite da linguagem confere ao livro um tom existencial que acompanha toda a leitura.
Entre os temas recorrentes, o tempo ocupa posição privilegiada. Em Tempo que Rói, a passagem dos anos deixa de ser abstração para tornar-se força concreta que "rói os ossos", "embranquece os cabelos" e devolve tudo ao seu domínio. A imagem é simples, mas profundamente simbólica: o tempo não apenas passa; ele transforma, consome e restitui cada existência à própria transitoriedade. Da mesma forma, em diversos poemas, a memória surge como espaço simultaneamente de permanência e perda, revelando que lembrar é também experimentar novas formas de ausência.
Outro aspecto marcante é a recorrência da solidão como condição humana. Em passagens de intensa beleza melancólica, o poeta confessa que "há tanto que ando exilado cá dentro de mim" ou descreve a tristeza como uma paisagem onde "faz frio onde não rio mais". São versos que evitam o sentimentalismo fácil porque se apoiam numa reflexão madura acerca da fragilidade da existência. A dor nunca aparece como espetáculo, mas como matéria inevitável da experiência humana.
Formalmente, Marcos Lizardo demonstra grande domínio do ritmo e da sonoridade. Emprega aliterações, paralelismos, enumerações e repetições que imprimem musicalidade constante aos poemas. Em Coloquial, por exemplo, o desfile quase lúdico das palavras transforma o vocabulário em protagonista, revelando prazer evidente com a matéria sonora da língua portuguesa. Ao mesmo tempo, poemas longos e meditativos convivem harmoniosamente com composições breves e contundentes, conferindo variedade ao conjunto.
Merece destaque, ainda, a honestidade estética do autor. Sua poesia não procura impressionar pelo hermetismo nem pela obscuridade deliberada. Ao contrário, nasce da simplicidade de quem observa profundamente. Quando escreve "Minha casa é a poesia" ou reconhece que "Haja poesia / Para suportar essa falta", Marcos Lizardo revela que a palavra poética não constitui fuga da realidade, mas possibilidade de habitá-la com maior intensidade.
Ao longo da leitura, percebe-se que cada poema dialoga com os demais, formando uma arquitetura coerente. A obra inteira parece responder à pergunta formulada pelo próprio autor na introdução: "Poesia para quê?". A resposta nunca é explícita, mas emerge da experiência proporcionada pelo livro: a poesia serve para preservar a humanidade diante do desgaste do tempo, da violência do cotidiano e do silêncio que tantas vezes ameaça a palavra.
Ao concluir Em Tudo Tem Poesia, o leitor compreende que o título encerra mais que uma afirmação: revela uma escolha ética e estética. A poesia não está pronta nas coisas; manifesta-se no olhar capaz de reconhecê-la. Marcos Lizardo demonstra possuir esse olhar raro e generoso, transformando o cotidiano em matéria lírica e fazendo da palavra um espaço de resistência, beleza e permanência. Seu livro confirma que, enquanto houver quem escreva e quem leia versos como estes, haverá sempre uma forma de reinventar o mundo.
Submited by
Prosas :
- Se logue para poder enviar comentários
- 215 leituras
other contents of RONALDO RHUSSO
| Tópico | Título | Respostas | Views |
Last Post |
Língua | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/Soneto | Rendam-se! | 0 | 2.033 | 12/01/2012 - 00:15 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Tinha que ser comigo... | 0 | 2.410 | 12/01/2012 - 00:14 | Português | |
| Ministério da Poesia/Tristeza | Cru... | 0 | 2.267 | 12/01/2012 - 00:12 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Fotografia | 0 | 2.265 | 12/01/2012 - 00:11 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Quase seguro... | 0 | 2.060 | 12/01/2012 - 00:10 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Como sempre... | 0 | 2.612 | 12/01/2012 - 00:10 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Lena (20 anos) | 0 | 1.850 | 12/01/2012 - 00:09 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Que coisa! | 0 | 2.284 | 12/01/2012 - 00:08 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Audaz... | 0 | 1.983 | 12/01/2012 - 00:07 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Soneto da Vitória! (Ao meu amigo Abel Filho) | 0 | 1.727 | 12/01/2012 - 00:06 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Que estranho! | 0 | 1.940 | 12/01/2012 - 00:05 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Angel, Sempre Angel! | 0 | 1.210 | 12/01/2012 - 00:04 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Elegia X (10/08 - 2 anos sem Betinho) | 0 | 1.149 | 12/01/2012 - 00:03 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Jovens... | 0 | 1.102 | 12/01/2012 - 00:02 | Português | |
| Poesia/Desilusão | Censurado | 0 | 1.111 | 12/01/2012 - 00:01 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Corpo e Alma (The comments) | 0 | 777 | 12/01/2012 - 00:00 | Português | |
| Poesia/Soneto | Resposta simples (Sonetinho de amor?) | 0 | 1.086 | 11/30/2012 - 23:58 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | UMA SÓ CARNE | 0 | 1.025 | 11/30/2012 - 23:54 | Português | |
| Poesia/Pensamentos | Sendas... | 2 | 781 | 04/26/2012 - 20:20 | Português | |
| Ministério da Poesia/Amor | Definitivamente... | 0 | 1.304 | 04/26/2012 - 18:23 | Português | |
| Ministério da Poesia/Amor | Mais nada... | 0 | 1.396 | 04/26/2012 - 18:22 | Português | |
| Ministério da Poesia/Amor | RETRANCA IMPENETRÁVEL! | 0 | 1.098 | 04/26/2012 - 18:08 | Português | |
| Poesia/Soneto | Amor e Ardor.. | 0 | 1.330 | 04/26/2012 - 18:05 | Português | |
| Ministério da Poesia/Soneto | Primavera ao Vento | 0 | 1.141 | 04/26/2012 - 18:03 | Português | |
| Ministério da Poesia/Amor | Outono | 0 | 1.239 | 04/26/2012 - 18:00 | Português |






Add comment