Mordidas no escuro I
Mordidas no escuro Parte I
Pudesse eu te deixaria me morder
Durante toda aquela noite fria
Enquanto as minhas mãos suavam frias.
Não me importaria o quão tarde já fosse
Pudesse eu ao menos provar da doce
Cereja que relutavas em me oferecer.
E faria tudo de novo sem me arrepender,
Sem se quer me deixar incomodar
Pela ira dos meus pais por tarde chegar,
Pois ante aquele frio e escuridão
Nunca senti bater meu coração
Feito ele batia quando estavas a me morder.
Ora disparava ora era tranquilo a bater
Quando a sentir do teu corpo o calor
Pude provar em teu hálito o licor
No qual banhava-se uma cereja
Perdida agora na boca que não me beija...
Nos lábios que não me deixaste morder.
Em pensar que pouco antes estive eu a tremer
- Se por frio ou por estar inseguro
Não sei dizer, quando naquele escuro
Nada mais queria que a ti em meus braços,
Que sentir no mais longo dos abraços,
Todas as coisas que estiveste a me escrever.
24 de junho de 2011 - 20h 42min
Mordidas no escuro Parte II
Nunca me senti tão bem ao adormecer
Feito bem me senti ontem. E ao dormir
Bem desconfio que eu tenha o feito a sorrir
Mesmo que para ontem estar contigo
Por um tempo eu vá ficar de castigo
- Pudesse eu da mesma forma eu voltaria a fazer.
Nunca na vida me senti feito ontem ao te ter
Mordendo, mais e mais, o pescoço.
Teu perfume, sutil e ainda assim cheiroso,
Tua pele sob o tecido o amarelo,
Só mais uma vez eu queria poder senti-los
Enquanto as tuas costas, ombros e pescoço a morder.
Muito penso mas ainda não se responder
Como me controlei ante as tuas amigas
E o frio que também sentiste na barriga
Quando éramos apenas nós dois na rua.
Não estava lá nem mesmo a silente lua
Quando aos poucos eu subia a tua blusa sem querer...
E quanto as coisas que estivemos a dizer
No ouvido um do outro eu não digo a ninguém
Mais quando somente a ti eu quero bem.
Quando em devaneios ainda mais perdido
Não estava eu por causa do pescoço mordido
Que o sabor dos teus lábios não me deixa esquecer.
24 de junho de 2011 - 23h 59min
Mordidas no escuro Parte III
Muitíssimo feliz eu assistiria o dia nascer
Se na rua, do lado de fora trancado,
A dormir por pai eu fosse obrigado.
Sentado na calçada eu esperaria,
Inda que tomado de nostalgia
A sorrir, feito eu fazia contigo a me morder.
E quanto aquela cereja que me oferecer
Me ofereceste sob a pergunta simples
Que me fizeste: Eu te quero. Eu sempre te quis.
E como eu te disse eu fiquei satisfeito
Pois da forma como foi, tudo foi perfeito...
Pois foi justo você - E tudo é como deve ser.
Mas melhor não foi porque não estava a chover
E assim mais do que estava eu não tive o teu
Corpo junto ao meu. E o meu anel
Levaste: aqui espero como posso, paciente,
Até que me venhas com o teu corpo quente
E me pergunte o que por ele eu tenho a oferecer.
Mas não quero negociar ou tentar te convencer.
Te quero mais uma vez e sem medo
Mesmo que o façamos sempre em segredo...
- Sem que ninguém veja, me morde sem pudor!
Do teu hálito quente eu quero o licor
Doce... Teu queixo e teus lábios morder.
25 de junho de 2011 - 19h 07min
Mordidas no escuro Parte IV
E enquanto estes versos estive a escrever
Por várias vezes eu senti o teu cheiro:
Está impregnado no meu travesseiro,
Nas roupas que eu estava a vestir...
Na barriga é um frio que agora vivo a sentir
Sempre que me lembro, e não sei o que fazer.
De uma maneira que não sei bem descrever
Este frio me consome feito uma chama
Até mesmo no calor de minha cama,
Não importa o quanto a noite esteja tranquila:
É a lembrança do teu perfume, Tarsila,
Que me judia sem as razões se quer dizer,
Se bem que não é preciso ninguém responder.
- Feito a trufa que quase cai na calçada
A impressão de que não tenho quase nada
É a que eu teria se a ti, naquela noite escura,
Eu não tivesse: por nós dois insegura,
Pela distância que nos separa a temer...
Em pensar que agora pude perceber,
Pro despeito de toda a nossa vontade,
Que eu não disse o quanto te gosto de verdade.
Nunca me veria te pedindo desculpas
Nesta hora, inda que digas não ser a minha a culpa...
O quanto estas mordidas poderiam me doer.
25 de junho de 2011 - 23h 13min
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