Na praça de Maio

Na praça de Maio
anda o velho a fotografar
as asas dos pássaros
pesadas de fome.
Esse velho jovem na revolução
folhas de papel dobradas na gabardina
aquele manifesto sobre a ausência dos sonhos
e das utopias e das alegrias nas noticias dos jornais.
Na praça de Maio
anda o velho a fotografar
com esse seu ar marginal
os olhos magros das crianças
procurando o sentido desta geração
sem um ritmo, sem um poema
sem uma forma no peito
para acender um fogo.
Na praça de Maio
anda o velho a fotografar
a noite engolida como uma bebida acida.
Os olhos magros das crianças
procurando o sentido desta geração
sem um ritmo, sem um poema
sem uma forma no peito
para acender o fogo.

José Fernando Lobo Duarte
 

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Miércoles, Noviembre 9, 2011 - 16:38

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