VINHO DE OUTRO CORPO QUE ME ARDE NA PELE

O corpo como fábrica de urgências de ser,
diploma impalpável do tempo.

As mãos como régua
que soletra o tamanho das coisas,
distância em compasso que traça o círculo
do onde do quando como quanto me pertence.

Os olhos como tribunal
das escolhas, escola de sentires
entre a cor de tudo e sombra de nada.

As pernas como árvores
que morrem de pé, raízes plantadas
em solo de certeza adubada de dúvida.

A cara como pano
onde a vida se projecta, plateia
de sorrisos e lágrimas que aplaudem em rugas.

A voz como tesouro
que paga o desgaste da vida,
machadada nos troncos tombados sobre o caminho.

Os ouvidos como corda
onde as palavras se agarram
para saírem do orvalho do medo,
muralha onde o enredo se desmorona.

O pensamento como murmúrio
em silêncio, palácio de fogueiras cuja lenha
é o vinho de outro corpo que me arde na pele.

A alma como mar
em desperdício sem sonho para sonhar,
coreografia do inferno sem amor para amar.

 

 

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Miércoles, Noviembre 30, 2011 - 22:10

Poesia :

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Henrique

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