É uma dor que nasce aí.

Quero fazer-me crer,
num sonho que não sei sonhar,
uma batalha que me cansa,
só de existir.
Que fazer?
Que fazer?
Gritar, como os loucos da noite?
Sem ter ninguém por perto,
para estar, ou ouvir?
Deus, afundo-me na morte mansa,
sou desespero, martírio, loucura,
a espuma bafienta,
que escorre lenta, que não descansa.
Sou o esboço de um sorriso,
que de mim próprio se ri.
Sou covarde, egoísta, injusto,
homem, poeta e louco,
e não vejo, não vejo,
que tantos, tantos outros,
estão aqui, onde nem os senti.
Mas por pouco, Meu Deus,
por pouco,
Fui vencedor por inteiro,
desta batalha eterna que sou eu.
Campo de sangue, onde exaustas,
se desfilam todas as lutas, que tenho p’ra desfilar,
qual bandeira, estandarte, qual estátua,
qual estátua, qual quê?
Qual desejo, ou amor,
ou amor, Meu Deus, que seja,
encosta um homem ao fio da navalha do seu fim?
Chega de noites assim,
onde a verdade da noite,
não traz certezas para mim.
Onde a dor que é minha,
não chega a ser minha dor.
E para quê, Meu Deus, para quê?
Se tudo se foi, e nada se vê.
Se pago por tudo, por nada, por mim,
Ah sim!
E por tudo o que é mal ou bem,
e pela entrega que termina, ou não,
mas assim..
Assim, Meu Deus, só assim,
eu compreendo..
Que quero ser eu,
com todos ou só,
mas que ninguém me diga:
Meus Deus, que metes dó!
Ninguém me chame sem me chamar.
Que eu, Meu Deus, que eu,
não chamo ninguém,
se não o amar.

 

Casimiro Teixeira

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Viernes, Enero 13, 2012 - 10:17

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