AOS MEUS PÉS

AOS MEUS PÉS

 

             Meus queridos pés que sofreis tanto sem um simples balbuciar,

Durante uma vida inteira a pisar o chão que um dia vos há – de pisar,

Olho sempre para vocês cá do alto da minha importância,

Sem pensar que nada sou se não tiver a vossa concordância.

Aguentais o meu peso seja leve ou pesado e me levais para onde eu quiser,

Seja a correr ou a andar, com medo ou com coragem, sempre que eu puder,

Tendes os meus olhos como guia mas de vez em quando tropeçais,

Ouvindo cá do alto do meu ser sobranceiro um grito ou alguns ais.

 

Meus queridos pés, não me leveis a mal se não tiver dinheiro para vos proteger,

Se assim for já sei que vocês me fazem soltar de vez em quando um gemer,

Sois pertença nem dum rico, nem dum pobre, apenas dum simples mediano,

Que vos deu uns sapatos com muito trabalho e nunca vos engano,

Já andásteis por cima de cardos, pedras. Ou da simples fina ou grossa terra,

Nus como nascesteis e até sem desejareis fosteis obrigados a ir à vil guerra,

Não fui eu que vos mandei mas sim alguém com muito mais mando do que eu,

E felizmente cá estamos todos juntos e nenhuns de vocês lá se perdeu.

 

Meus queridos pés já fôreis novos há muito tempo e ele ainda por cá vos mantém,

Já tendes calos de tanto sofrer e ainda não sabeis quanto tempo ainda vem,

Já não tendes lágrimas mas apenas suor de tanto correr ou andar,

 Sem qualquer manifestação de felicidade ou de pesar,

Andais sempre para a frente ou para trás, conforma a vontade do vosso dono,

Pois a mim viveis sempre agarrados e podeis crer que nunca vos abandono,

E assim vamos continuar até que a vontade do tempo nos mande sossegar,

Por limite de idade ou por ineficácia ou talento, mas por obrigação de parar.

 

 

2008-Estêvão

 

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Jueves, Noviembre 22, 2012 - 11:02

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José Custódio Estêvão

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