ESCREVI

Tenho 61 anos de idade e até chegar aqui, passei por várias fases da vida que me deram uma visão e uma experiência de vida vivida desde o abismo até  ao paraíso; com este estudo de vida vivida, posso dizer que  ganhei um poder do conhecimento de como é a vida e o funcionamento da nossa sociedade: Arrisco - me a dizer que tenho uma licenciatura diferente de todas as outras, porque esta licenciatura de vida vivida, fui obrigada a tirá  - la  para poder sobreviver e singrar através dela; as outras licenciaturas são para ganhar o poder do dinheiro e outro estilo de sobrevivência de combate à ignorância, só que nestes estudos não se ensina tudo e além disso, é apenas de teoria que falam; a minha licenciatura, perante a sociedade de hoje não tem qualquer valor, pertenço à classe dos ignorantes, no entanto, ela foi tirada e continuo a aperfeiçoá - la, com o poder do conhecimento da vida, resultante da experiência no terreno, onde me sirvo de todas as armas menos as de matar e das desonestidades, apenas as armas do conhecimento prático como observador. Não me tenho dado mal com as minhas armas mas, tem sido difícil subir a escadaria da vida, no entanto, tenho conseguido dar aos meus aquilo que eu nunca tive e por isso me orgulho muito de poder ter feito algo por eles, pois considero que fiz mais conquistas através do meu esforço mental; ao fim e ao cabo parece que não deixo de ter razão, porque eu e a minha mulher fizemos um esforço e uma  vida muito regrada, apenas a pensar no seu futuro; agora estou de consciência tranquila, de ter realizado um dos meus mais importantes sonhos, não como um homem realizado, porque nunca nos devemos sentir assim, porque há sempre algo mais para fazer pela família e pela sociedade, onde estamos inseridos; a realização duma pessoa nunca acaba, é como uma história interminável que acompanha a nossa vida até ao fim e fica sempre algo por realizar.

Sem a minha companheira de jornada, alcançar o meu objectivo, nunca teria sido possível, pois para ganhar a vida do nascer até morrer, trava - se uma luta constante, umas vezes vencemos, outras somos derrotados mas, desistir nunca se deve fazer, porque isso é mostrar fraqueza e desistir antes de chegar à meta; por vezes sentimo - nos tristes, desanimados mas, isto é apenas momentâneo; devemos exercitar a mente para nunca cairmos de vez, pois ao longo da vida damos muitas quedas e temos de ganhar sempre forças para nos levantarmos mesmo que alguém nos alicie a não fazê - lo; digo isto porque existem nossos semelhantes que não nos querem bem e esses normalmente são os que nos podem fazem rir e portanto, devemos estar sempre alerta.

Como não tenho com quem discutir as minhas ideias porque já não sei quem são os meus verdadeiros amigos, pelos empurrões propositados que me tem dado para me fazer cair, por isso, faço - o com o meu livro; ele apenas me ouve e me deixa anotar o que me vai na alma, para que o tempo não leve as minhas ideias que podem ser ou não preciosas mas, no entanto, ficam registadas, para não se perderem no tempo.

A minha consciência pede - me sempre para registar os seus pensamentos e eu cumpro sempre o que ela diz, porque acho que tem razão; peço - lhe sempre para não ter ideias más e estas recuso - me a registá - las mas, se o mal for supremo, alguém tem de fazer alguma coisa, nem que seja, em última circunstância, cortá - lo pela raiz para que não torne a crescer. Desde que detecte o mal, é este procedimento que eu tenho sempre, e até hoje, presumo que nunca o deixei crescer desde que seja mais forte do que ele; agora com os grandes males da sociedade, posso contribuir para os eliminar mas, sozinho é como lutar contra o impossível, tem de haver uma união de esforços para conseguir vencê - lo. Se deixarmos o mal criar raízes, ele acaba por nos dominar, se não tivermos as raízes do bem muito mais fortes para lhe fazer frente e exterminá  - lo para sempre.

O mal e o bem já nascem connosco mas, se temos inteligência, temos o dever e a capacidade de distingui - los muito bem, para não cairmos na nossa própria armadilha, nem armá - la aos outros, uma vez que não a queremos para nós.

É nas divergências profundas que se constroem as maiores solidariedades, no entanto, a tendência do homem é querer dominar o seu mundo mas, para o fazer tem que, em primeiro lugar aprender a auto - dominar - se.

Quando isto não acontece, o homem acaba por perecer, pelas suas próprias mãos, pela falta de auto - domínio; é como uma máquina que puxa o comboio desgovernada, podendo acabar por embater violentamente no fim da linha, ou sair dos carris, magoar inocentes que, não têm culpa deste desgoverno; por isso, no ser humano é essencial um grande equilíbrio, grande determinação e auto - domínio, em tudo o que faz, pois caso contrário, será como a máquina de comboio desgovernada que se auto - destrói e pode levar consigo outras vidas, como um vento de fogo que devasta tudo à sua passagem. Para vencer é preciso que não nos tornemos nem em vento de fogo, nem em máquina de comboio desgovernada, aprendendo a conduzir a vida, pelo melhor caminho, como um timoneiro firme e determinado e de olhos bem abertos cheios de inteligência de bem.

Estêvão

 

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Jueves, Diciembre 27, 2012 - 09:57

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José Custódio Estêvão

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