Desatino
O homem nasce acorrentado no destino,
destino negro, sem futuro e nem lugar
lugar aonde possa repousar seu corpo
de tábua podre e envelhecida faz um lar
Somente treva, ignorância e violência
passam à frente deste homem sem perdão
se vê perdido em meio às avenidas largas:
rosto abatido, olho fundo e pés no chão.
Chega em casa, entristecido e preocupado:
com que dinheiro vai pagar a condução
pra procurar pelo menos um emprego
de operário bóia-fria ou peão.
Em todo canto encontra soldados armados
e homens vestidos de colete e paletó
pedindo votos, prometendo melhorias
e um louco, alegre, expurga o seu suor sem dó.
E assim, aos poucos, sua vida vai passando
já não existe nem futuro e nem lugar
só uma cova, sete palmos, bem profunda
ou uma grade, um sol quadrado, ao despertar.
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Comentarios
Re: Desatino
Bom poema, gostei de ler! :-)
Re: Desatino
Poxa...já estava me sentindo mal por passar para minhas poesias a forma realista como vejo o mundo...por mais que queira, minha realidade do dia-a-dia,não me permite o romantismo ou idealizações utópicas...seja benvindo, amigo brasileiro!
Re: Desatino
Este é realmente um retrato da realidade. Políticos prometem muito e depois que vencem as eleições, nem se lembram de que dependeram dos votos para estar lá. Agem como se fosse por próprio mérito e enchem os bolsos, enquanto o pobre está lá, sem trabalho, sem futuro e dependendo de bolsa família para comer.
Veja meu poema, Minha Terra, Meu Brasil. Uso trechos do hino nacional para falar sobre esta triste realidade da nossa Pátria.
beijos
Re: Desatino
infelismenteé um retrato negro da nossa realidade....
bjx
Re: Desatino
Um negro retrato dos dias.
Sublinho
"E assim, aos poucos, sua vida vai passando
já não existe nem futuro e nem lugar
só uma cova, sete palmos, bem profunda
ou uma grade, um sol quadrado, ao despertar."
Gostei imenso
Abraço