Minotauro ou Astérion

E era de tal feiúra
que só despertava paúra.
Preso nessa amargura,
rodava seu labirinto, sua clausura.

A cada ano, conta-nos Borges*,
recebia novos alforges.
Virgens de Atenas,
ou só virgens. Apenas.

E tanto ele as gostava,
com tal gozo as devorava
que presto a saciedade
lhe chegava.

Mas eis que certo dia,
viu-se num espelho que havia;
e tal foi seu horror,
e tanta foi sua dor,
pois viu como era burlesco e complexo
o seu triste reflexo.

E por ser filho do Rei, logo decretou:
que se findem as imagens.
Que saibam os Homens,
suas vindouras vantagens.

Foi então que o Homem nunca mais viu
o terror que sempre produziu.

Mas, como na lenda,
do tempo da grega calenda,
eis que chega algum Teseu
que de um só golpe
destrói a cria de Prometeu.

E agora, já nesse pós Mundo,
é dificil entender
qual o Minotauro,
qual o Centauro?

E qual, Homem, foi tua obra?
Esse tanto de miséria que se chora
e que se vê em qualquer hora,
ou outro fiel exercicio dos males de Pandora?

E o pior é que já não há mais cortina para fechar.
Essa grega tragédia veio para ficar.
Mesmo que outro grego a queira recontar.

* Jorge Luis Borges

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Sábado, Julio 18, 2009 - 15:23

Poesia :

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fabiovillela

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Comentarios

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Re: Minotauro ou Astérion

Muito interessante a forma como trabalhas os nossos mitos.

Murillo Carvalho - vencedor do prémio Leya deste ano com o romance - O jaguar - fala-nos nisso - como devemos de certa forma procurar no inicio as nossas verdadeiras origens.
Nos meus textos trabalho também essa ideia de um futuro perturbado pela acção danosa do homem... a sorte é existirmos nós - os que mudarão qualquer coisa.

Gostei.

Abraço

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Re: Minotauro ou Astérion

EXCELENTE...

:-)

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Re: Minotauro ou Astérion

LINDO, GOSTEI, MAS NÃO COMENTEI!
MarneDulinski

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