Indesejado
Indesejado
Quando olhava para além mundo,
Para essa dúvida que me fazia maior,
Via tudo mais alegre e eu era mais profundo
E o bem e o mal eram fragrâncias de Dior.
Era um simples autómato de algo superior,
Água correndo sem um sentido de mar ou foz,
Vida sorrindo para um paraíso posterior
Onde encontraria todos os meus falecidos avós.
Era um espectador de um circo só de palhaços
Onde a lei divina era só sorrir e acreditar,
Mas eis que um dia chegam, empunhando brilhantes aços,
Os lenhadores abrindo clareiras ao meditar
E todo um imaginário plano e cândido,
Como um lago descansando parado,
Se transforma num imenso tornado
Abalando tudo o que era sagrado
E levando todas as certezas, como um bandido
Alterando um manuscrito que não se queria editar.
Agora vejo claramente todas as formas e matérias.
A verdade deu-me a mão neste passeio,
Neste Universo tão esfusiante,
Mas então porque é que é a mentira que anseio
E o ser livre um desígnio tão esgotante?
O Mundo transformou-se num brinquedo de criança
Depois de usado e posto de lado,
E a vida é a melancolia da música sem dança,
E o Homem um corpo que já não se quer velado.
G.abraço
Marco
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Poesia :
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Comentarios
Re: Indesejado
LINDO, ESFUZIANTE SEU POEMA, GOSTEI!
Meus parabéns,
MarneDulinski
Re: Indesejado
Vejo o seu poema, por sinal, muito bom, uma realidade. Não generalizo porém, creio que nem todos o fazem. Abraços
Re: Indesejado
"O Mundo transformou-se num brinquedo de criança
Depois de usado e posto de lado,
E a vida é a melancolia da música sem dança,
E o Homem um corpo que já não se quer velado."
Tem toda a razão... O mundo, as pessoas, os sentimentos, tonou-se tudo sinteticamente descartável...
O poema esta bom e transmite claramente a mensagem.
Beijinho em si, Marco
Inês Dunas
Re: Indesejado
Enfatizo:
"O mundo transformou-se num brinquedo de criança"
E o ser humano, vira criança, e destrói o brinquedo. Ao que parece, infelizmente, é que está ocorrendo hoje em dia.
Ótimo poema.
Um abraço,
REF