A ovelhinha negra

O campo verde
tinha dado lugar às cinzas
suspensas em anzóis de cristal
com a tíbia luminosa escurecida.
.
O céu azul escusava-se a morrer
mesmo com um punhal
enterrado nas profundezas
do coração.
.
A ovelha negra cerrava os dentes
e o eco do seu balir
fazia estremecer o próprio vento.
.
Ainda não estava na hora
de tosquiar as palavras queimadas
nem de decifrar os sinais do tempo.
.
A ovelha negra trilhava a solidão,
mas no futuro
as ervas frescas romperiam a terra
e criariam novas raízes
para que ela assim fizesse sucumbir
a amargura.
.
Se o eco ainda for audível
terá tempo de crescer em paz?

rainbowsky

Submited by

Miércoles, Marzo 10, 2010 - 09:59

Poesia :

Sin votos aún

rainbowsky

Imagen de rainbowsky
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 6 años 41 semanas
Integró: 02/20/2010
Posts:
Points: 1944

Comentarios

Imagen de mariacarla

Re: A ovelhinha negra

O eco é bem audível entre nós e o poeta está sempre a crescer!

Beijo

Carla

Imagen de Henrique

Re: A ovelhinha negra

Se não estou errado, definiste muito bem o poeta e a poesia!!!

:-)

Imagen de rainbowsky

Re: A ovelhinha negra

É isso mesmo Henrique!

A ideia essencial era essa...

Abraço

rainbowsky

Imagen de Librisscriptaest

Re: A ovelhinha negra

"O campo verde
tinha dado lugar às cinzas
suspensas em anzóis de cristal"

"Ainda não estava na hora
de tosquiar as palavras queimadas
nem de decifrar os sinais do tempo."

Imagens fantasticas em telas de belas metaforas!
Beijinho em ti!
Inês

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of rainbowsky

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Ministério da Poesia/Fantasía Diálogo transparente 0 1.564 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Meditación Escreves ou não? 0 2.721 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Intervención Esperanças 0 1.827 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Amor Estrela 0 3.518 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Meditación Farol identidade 0 2.503 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Desilusión Feitiço 0 1.902 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Pasión Gelo violeta 0 3.193 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Ministério da Poesia/Amor Há tanta luz 0 2.443 11/19/2010 - 18:27 Portuguese
Poesia/Amor Medo 3 1.218 09/21/2010 - 05:54 Portuguese
Poesia/Intervención Desassossego 3 2.341 09/16/2010 - 21:06 Portuguese
Poesia/General Expresso descafeinado 2 1.921 09/16/2010 - 20:38 Portuguese
Poesia/Tristeza Não pedi à caneta 4 1.554 09/11/2010 - 00:33 Portuguese
Poesia/Pensamientos A estrada íngreme 1 1.465 09/01/2010 - 00:43 Portuguese
Poesia/Amor TU FAZES-ME DELIRAR... 4 1.766 08/29/2010 - 20:11 Portuguese
Poesia/Amor Ponto de luz 2 889 08/23/2010 - 16:05 Portuguese
Poesia/Intervención Guerra e uma pequena flor 1 1.702 08/15/2010 - 23:32 Portuguese
Poesia/Intervención Guerra e uma pequena esperança 1 1.185 08/15/2010 - 20:06 Portuguese
Poesia/Amor Homem de negro em arame branco 3 1.398 08/14/2010 - 17:58 Portuguese
Poesia/General Caixa de correio 5 1.382 08/14/2010 - 13:17 Portuguese
Poesia/Tristeza Mata-me o gelo no teu copo 1 1.289 08/10/2010 - 16:35 Portuguese
Poesia/Tristeza Silencio-me nas tuas mãos... 3 1.048 08/10/2010 - 00:01 Portuguese
Poesia/Meditación Neste planeta... 2 1.270 08/05/2010 - 00:17 Portuguese
Poesia/Tristeza Viver às escuras 3 1.206 08/04/2010 - 01:17 Portuguese
Poesia/Desilusión A visita do carteiro 3 1.719 08/03/2010 - 22:57 Portuguese
Poesia/Meditación Languescente terminação 2 1.890 08/03/2010 - 17:53 Portuguese