O Inteligente e Culto

Sentado em frente, um snob com vestígios de espuma esbranquiçada nos cantos da boca. Não sei de onde aquilo surge. Ele que tem hábitos de higiene de monge:
Diogo Luís: olha Bé, eu costumava vir aqui a este restaurante imensas vezes com algumas namoradas, sabes…juízas, Advogadas, economistas, médicas, enfim, tu sabes. Por isso se o empregado te perguntar o que fazes na vida dizes, sei lá, que és professora de Estudos do Mercado, ok?
Benedita:…como assim??
Os meus neurónios nesse momento não tiveram a mesma velocidade do disparate que me chegara aos ouvidos. Bloqueei e continuei a refeição sossegada como alguém que recebe a notícia que não tem nenhuma gripe. Mas não é que este anormal tem vergonha do meu estado temporário de ócio forçado? Mas, que tem ele naquela cabeça para além de tinta no cabelo? Será que aquela espuma branca que lhe vai saindo da boca dessa mesma cabeça em decomposição?
Afinal que faço aqui eu frente e frente a um corpo que menos vale que um envelope sem cartão de boas festas?
Sei que não estou assim tão à beira do abismo das solitárias. Não...não pode ser…fiz de certeza algo de muito malévolo a este sujeito à minha frente numa vida passada, ai fiz sim. Ora vejamos:
Eu era uma Doutora de Estudos Europeus. Certo dia conheci-o. Passava eu com o meu fato de marca bem marcada, sapatos de salto em altura, enfim, uma executiva de fazer inveja às séries Americanas de mulheres muito sofisticadas. Levo mesmo na moleirinha com um azulejo e caio sem sentidos e sem fazer sentido ele veio socorrer-me, o trolha que assentava azulejos no prédio do edifício onde eu trabalhava. Gostou de mim. Convidei-o para jantar e para me acompanhar a um congresso. Sim, eu sabia que era trolha, mas “bateu-me” na cabeça. Comprei-lhe fato, sapatos, meias e até brilhantina. Fui buscá-lo a uma “ilha” no meu automóvel careca, ou seja, descapotável. E lá fomos às cerimónias. Bebemos vinho, Champanhe, cerveja, gin, aguardente e outras coisas. A certa altura, mais ou menos à altura dos meus saltos, e em que já nem o meu fato de estilista argumentava contra factos, gritei e humilhei o trolha em frente a duzentas pessoas.
Eu na outra vida: sabem uma coisa? Este gajo é trolha…ahahahahhahahhah, é um asno saloio, não vale um chavo! Ahahahahahahahaah….até tive que lhe comprar a roupa….e vive numa ilha…ahahahahahahah…trolha burro! Ic…ic…ic
Eu devia estar bêbeda quando me convidou para sair…ahahahahahaahh
A humilhação deve ter sido bem mais vergonhosa que os azulejos dos exteriores das casas de alguns emigrantes. Só pode ter sido isso que aconteceu. Estou a ser punida, eu mereço!

O que Benedita devia ter dito: …digo que sou quem? Disseste o quê? Tenho vergonha de me sentar à tua frente!

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Martes, Marzo 16, 2010 - 22:06

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Benedita

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Re: O Inteligente e Culto

Eh eh... Mesmo muito inteligente!

LOL

Carla

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Re: O Inteligente e Culto

Sem generalizar, tens toda a razão!!!

:-)

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