Ataque de autocontrole
Fui ao mercado localizado na esquina da avenida principal
E lá chegando vi o funcionário Bernado dizendo que ia vender-me o de sempre:
- Compre, amigo pois, a promoção é imperdível e dura até o dia de hoje, antes do estoque incendiar-se por incidência de desligamento humano da monotonia de desligar-se enquanto vive!
Dizia, o sujeito de boa guarda, que era a vida uma espécie de loja escondida no submundo dos subsolos de tribunais de justiça...
Dizia mais: - Além daqui há uma névoa de estranheza a bom preço mas, de qualidade duvidosa
Eu pensava e, quando dizia, dizia em voz inaudível:
- Como pode existir quem pense em tramas acobertadas, enquanto o pobre resto de humanidade fica logo ali, povoando calçadas e dormindo noites em dia?
Tarde, muito tarde e só agora percebi
Que poesia é feita de igualdades fingidas
Disfarçando-se de textos cheios de informações pouco interessantes...
Posso, então, fazer do meu jeito uma prosa bem construída?
Quem lerá minha opinião conseguida de um vendedor de porta de mercado?
Quem, senão o próprio vendedor que, pelo que demonstra, é muito mais após a voz bem postada?
Eu calei,
fui ao encontro do que procurava, encontrei, fui em direção ao caixa recebedor e paguei
Fui-me embora, esqueci daquelas palavras loucas
Tudo bem, não nego
Tem vez que eu pego o microfone e mexo com as cordas vocais
Tem vez que falo, interpreto, canto, vendo
A novidade invisível jogada na promoção por excesso de oferta
Mas, vida, por que eu vivo amordaçado enquanto dizem que a vida é mais misteriosa que meus próprios conceitos acerca da mesma?
Estou agora na segurança do lar...
Os de logo ali, povoam a calçada por onde saio e faço a vida ter sentido...
Coitados, Bernado, estão lá, melhor, logo ali, silenciosos, a espera da notícia que embarga qualquer voz: - Aqui, os restos tirados da podridão e entregues a vos!
Enquanto ele discussava e apontava, eu nada dizia... Nada, nada!!
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 927 reads
Add comment
other contents of robsondesouza
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
|
|
Fotos/Perfil | 2737 | 0 | 2.259 | 11/23/2010 - 23:51 | Portuguese |
|
|
Videos/Arte | Saudosa maloca - Adoniran Barbosa | 0 | 2.118 | 11/19/2010 - 22:35 | Portuguese |
|
|
Videos/Arte | Elis Regina - Como nossos pais | 0 | 1.271 | 11/19/2010 - 22:35 | Portuguese |
| Ministério da Poesia/Alegria | Rês de três | 0 | 2.051 | 11/19/2010 - 18:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Companhia | 0 | 1.444 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Existência | 0 | 1.377 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Amor | Amor | 0 | 2.255 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Contra Tempo | 0 | 1.372 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Devaneio refugiado | 0 | 1.200 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Espelho | 0 | 1.751 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Momento qualquer | 0 | 1.543 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Incoerência | 0 | 1.348 | 11/19/2010 - 18:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | No que me atenho me tenho | 0 | 1.835 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Incômodo | 0 | 1.058 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Sobre a incerteza | 0 | 1.415 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Deboche | 0 | 1.223 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Hora de jogar | 0 | 1.203 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Claro à noite | 0 | 1.076 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Para pensar | 0 | 1.102 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Drama da abstinência intelectual | 0 | 1.524 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Tristeza | Distração deprimente | 0 | 1.220 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Tristeza | Um ponto | 0 | 1.409 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Leve-me | 0 | 1.683 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Um ciclo | 0 | 1.175 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditación | Infinda superfície | 0 | 1.219 | 11/19/2010 - 18:19 | Portuguese |
- « primera
- ‹ anterior
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
- 6
- 7
- siguiente ›
- última »






Comentarios
Re: Ataque de autocontrole
Um silêncio que diz tudo!!!
Bom poema!!!
:-)
Re: Ataque de autocontrole
Caro Robson
E quantos não são os Bernardos que encontramos todos os dia?
Bela prosa.
Abraço
Cecilia Iacona
Re: Ataque de autocontrole
Excelente texto, Robson
Um abraço
Vóny Ferreira
Re: Ataque de autocontrole
Boa noite Robson!
Do que já li seu, sem dúvida o melhor!
Parabéns!!!
Gostei muito
Páscoa Feliz
Abraço
rainbowsky