O Morto

Fatigado, decaindo em marcha dormente,
Amodorrado, turvando memorias passadas,
Amparo-me na fragrância, no lençol ainda quente,
Esvaneço entre efígies, veladas doridas calcadas.

Sinto um sufoco, um debelo amordaçado ao acordar,
Agonia empedernida, tenho frio, insípido despertar.
Escuro apertado abafado, no abismo encurtado asfixiado,
Estarrecido aterrado aturdido, no medrado esguio afunilado.

Raspo empurro arranho, em vão...
Uivo grito choro, sem mão...
Gotículas tépidas decaem, gotejam no meu pensar,
Sopro esvaído vagado do meu pulsar,

Já não tenho frio, indolente pela terra fluido,
Erijo-me e sossego, estaqueado e vejo já ido,
Um cemitério... uma fúnebre actividade,
Afogadas as mágoas, lamentos enterrados,
Expiado o pecado, decomponho a idade,
Indigências dúbias, ainda sou entre penados.

Pedro Martins

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Jueves, Mayo 6, 2010 - 14:35

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Re: O Morto

Raspo empurro arranho, em vão...
Uivo grito choro, sem mão...
Gotículas tépidas decaem, gotejam no meu pensar,
Sopro esvaído vagado do meu pulsar,

Já não tenho frio, indolente pela terra fluido,
Erijo-me e sossego, estaqueado e vejo já ido...

A tristeza enterrada num poema voraz!!!

Muito bom!

:-)

Imagen de vitor

Re: O Morto

Lindo poema.
Gostei muito.

Mesmo em vida, há um morto dentro de nós.
Depende de cada um, do estado de alma.
Esta maneira fúnebre... resultou em versos maravilhosos.

Abraço.
Vitor.

Imagen de mariacarla

Re: O Morto

"Sinto um sufoco, um debelo amordaçado ao acordar,
Agonia empedernida, tenho frio, insípido despertar.
Escuro apertado abafado, no abismo encurtado asfixiado,
Estarrecido aterrado aturdido, no medrado esguio afunilado."

Parece que tudo desaparece!

Mas ainda permanecemos em poesia!

Lindo!

Beijinho

Carla

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