Romantismo
Adeus, rogo-te agora
Rogo a Deus urgente:
Morra flor que em mim chora
em pranto triste pungente
amor que o peito devora
sacro santo elemento
por ti espero a hora
de consagrar o sacramento
Morra em mim o tempo
gota à gota, hora à hora
flores em florecimento
murchando em minha flora.
ó Deus porque insistes
em colocar-me o desejo?
Se em mim persiste
o sabor do ausente beijo
Belo é o dia lá fora
cinza é meu pensamento
folha cai e implora
seco é meu momento
ó Deus, ó Deus
leva embora, agora
esta saudade crescente
aquieta a amada rosa
cálida, entumescente
Cala esta louca viola
que deflora a minha mente
voando tal qual rabiola
retorcendo-se livremente.
Leva-me a tentadora maçã
estraçalha esta vil serpente.
deixa-me a mente sã
apazigua meu corpo carente.
Este poema foi feito após ler o poema Folhas caída de Almeida Garret.
É sobre a égide do Romantismo que o ergui, espero ter conseguido pegar o espírito da coisa.
Romantismo:
“Metamos o martelo nas teorias, nas poéticas e nos sistemas. Abaixo este velho reboco que mascara a fachada da arte!”
--Victor Hugo
Na Europa, a partir da metade do século XVIII, surgem autores que, libertando-se parcialmente dos limites traçados pela poética neoclássica, apresentam novas concepções literárias. Em suas obras, eles expressam sentimentos inspirados nas tradições nacionais, falam de amor e saudade num tom pessoal, realizando uma poesia mais comunicativa e espontânea do que a neoclássica. Era o nascimento do Romantismo que foi desenvolvendo-se e enriquecendo-se à medida que se expandia. Assim, acabou adquirindo características tão variadas que se torna impossível descrevê-lo em todas as suas dimensões.
No Brasil, percebe-se o desejo de criação de uma literatura nacional. Assim representou a primeira tentativa consciente de se produzir literatura verdadeiramente brasileira. Abandonou aos poucos o tom lusitano, a fim de dar lugar a um estilo mais próximo da fala brasileira.
Referências históricas
Contexto sócio-político da época (início do Romantismo no Brasil):
1808 - chegada ao Brasil de D. João VI e da família Real
1808/1821 - abertura dos portos às nações amigas; instalações de bibliotecas e escolas de nível superior; início da atividade editorial.
1822 - Proclamação da Independência. Daí nasce o desejo de uma literatura autenticamente brasileira.
1831 - abdicação de D. Pedro I e início do Período de Regência, que vai até 1840 (maioridade de D. Pedro II); fundação da Companhia Dramática Nacional; início da Guerra do Paraguai até 1840)
Características
Podem-se apontar, no amplo e diversificado movimento romântico, algumas tendências básicas:
a exaltação dos sentimentos pessoais, muitas vezes até autopiedade
exaltação de seu “eu” - subjetivismo
a expressão dos estados da alma, das paixões e emoções, da fé, dos ideais religiosos
apóiam-se em valores nacionais e populares
desejo de liberdade, de igualdade e de reformas sociais; e a valorização da Natureza, que é vista como exemplo de manifestação do poder de Deus e como refúgio acolhedor para o homem que foge dos vícios e corrupções da vida em sociedade
em alguns casos, fuga da realidade através da arte (direção histórica e nacionalista ou direção idílica e saudosista)
A linguagem sofreu transformações: em lugar da bem cuidada sintaxe clássica e das composições de metro fixo, os românticos preferiram uma linguagem mais coloquial, comunicativa e simples, criando ritmos novos e variando as formas métricas. Essa liberdade de expressão é uma das características típicas do Romantismo e constitui um aspecto importante para a evolução da literatura ocidental. O espírito de renovação lingüística é uma contribuição importante do Romantismo e foi retomado, no século XX, pelos modernistas.
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Comentarios
Re: Romantismo
Saber se expressar assim é um dom maravilhoso...
parabenz!!!!!!!!!!!!
Sem Cores!
Re: Romantismo
Ana,
Texto muito bonito, absolutamente romântico (que eu particularmente adoro)! Com a intensidade do amor, o desespero, a súplica, super dentro do estilo romântico mesmo.
Adorei!
Um beijo,
Lila.
Re: Romantismo
Lindo, intenso, apaixonado, ardido...
Até exalta a alma!
E no meio de toda esta emoção romantica a tua vontade de partilhar saber!
Continuo a adorar esta tua iniciativa!
Beijinho grande em ti!
Inês
Re: Romantismo
Que gosto do que escreves não é nenhuma novidade.
Apreciei sobretudo este poema, não só pelo romantismo como pelo amor que é sublimado até ao desespero.
Bj, Ana.
Vóny Ferreira
Re: Romantismo
Uma intença suplica de sentir não sentindo tanto, tão intensamente e de forma tão decadente, ardente...
Todos os poetas sentem o apocalipse de amar de forma exagerada, romantica, poetica...
gostei muito deste teu escrito.
Beijo.
Re: Romantismo
Grata pelo comentário amigo.
ABRAÇO.