Crianças de rua

Eram duas crianças que corriam
ao meio dia
ao sol quente, descalças no asfalto
os pés queimavam
gritavam alto, muito alto...
o mundo tremia
o futuro gemia
a loucura evaporava
do negrume asfáltico
de uma contrariedade.
De mãos dadas corriam
fugiam da realidade,
os joelhos esfolados
de subirem a árvore da vida
ardiam com o suor sulfúrico
que escorria das pernas sujas
de criança que vive solta,
correndo aos campos sem razão.

Até que uma chuva de lágrimas
desabou dos céus e invadiu a terra
com aquele cheiro gostoso
de terra quente molhada,
e no vapor da chuva, elas se
refrescaram, e sem camisa
correram ao encontro do futuro
rindo alto do desespero de si mesmas
imaginando o mergulho na cachoeira
da queda cristalina do amor
que se esconde atrás daquela montanha
além do horizonte...

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Viernes, Julio 2, 2010 - 17:37

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analyra

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Comentarios

Imagen de apsferreira

Re: Crianças de rua

Tempos, por que todos
passamos. Uns de um modo
mais dramático. Outros,
nem por isso.
Tempos muito gratos, sempre.
Gostei, muito.
:-)

Imagen de ricardopacheco

Re: Crianças de rua

Excelente poema. um poema que me fez recuar no tempo e recordar o meu tempo de criança.
bjs.

Imagen de Anonymous

Re: Crianças de rua

Aqui está um poema, Ana, que me encheu
por completo, já que para além do aspecto
social, imprimes ao poema o lirismo, próprio
de uma poeta que jamais se desliga do sonho
e até da utopia.
Belo momento de poesia.
Beijo,
Vóny Ferreira

Imagen de deborabenvenuti

Re: Crianças de rua

ESTÁ LINDO O TEU POEMA. DÁ PARA IMAGINAR ESSAS CRIANÇAS CORRENDO NA CHUVA COM A INOCÊNCIA DE QUEM SE CONTENTA COM O POUCO QUE TEM E CORRE AO ENCONTRO DE UM FUTURO,QUE MUITAS NÃO TEM.BEIJO

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