(In)pressão..
Houve um tempo em que éramos apenas essência, nessa altura não havia separação física de nada, porque o mundo físico não nos limitava, quando nos separamos para experimentarmos a vida, eu imprimi-me dentro de ti...
Somos da espécie que se conhece além toque,
que partilha um cheiro que ultrapassa gerações...
Os meus pulmões são os alvéolos dos teus
e sentem quando respiras o sofrimento,
porque se contraem e o ar também me falta...
Sou o sangue que corre sôfrego pelo teu corpo,
te invade, te aquece, te alimenta e atormenta
quando te cortas e me lambes...
Por isso fechas os olhos quando os teus lábios
sorvem as gotas de sangue que te escorrem do dedo...
Podem existir mil vidas através de nós,
mas a nossa essência será sempre a mesma,
por isso estremecemos à passagem um do outro,
a nossa energia reconhece-se e cumprimenta-se
num frenetismo de pernas dormentes a fazer espargatas...
Podemos estar em pólos opostos do mundo,
ainda assim seremos a união dos hemisférios,
provocando estranhos degelos e aguaceiros nos desertos...
Já viajamos em muitas formas,
fomos pedras imutáveis, rios furiosos, terra fecunda...
Mas a nossa essência nunca muda...
Hoje presos em vidas efémeras, limados à passagem dos anos,
experimentando os enganos da fome, da sede, da morte...
Esquecemos-nos que um dia, fomos a mesma energia...
Inês Dunas
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Comentarios
Re: (In)pressão..
Porque somos da mesma essencia e matéria...
Sinto e entendo...
Beijo... ;-)
Re: (In)pressão..
O amor faz destas coisas, faz com que dois corpos fiquem só em um, que passem a sentir as mesmas coisas, tudo em unissono!
Quando cai no esquecimento é que é triste, porque sentimentos destes nunca deviam ser esquecidos...
Gostei imenso querida!
Beijo enorme...
Re: (In)pressão..
Fantástico...
Discorro nas linhas que verte o teu pensamente e me acho rodeado disto:
Podem existir mil vidas através de nós,
mas a nossa essência será sempre a mesma,
Mágico, inebriante e sincero.
Tudo flui na energia mutável que um dia se desligará....nos caminhos do passo do tempo.
Deliciosa a imagem visual do sangue, de ti, lambida e beijada.
Um Must este poema-pensamento
Já te disse que te adoro ler?
Chuak