Delírios de uma mente cansada.
Destroços das paredes em falso alicerce cobrem a sala que um dia foi mais do que agora restou.
No sofá vejo o esforço do nunca existir, será falta do que jamais será?
As frases ao avesso vestem o ar frio, nada tem importância, apenas escuro coberto de incertezas.
No espelho o vermelho toma a cor deixando o que era pele agora em uma marina de sal,é esta
água que rola no peito afogando o que lá um dia pulsou.
Nada mais tem importância.
Somem aos poucos em longe olhar o que antes em decisão me era o certo, apenas me cabem raizes mortas tocando o marmore frio.
Nos seus riscos é possível ver o desenho da solidão quase que como em seu próprio padrão.
Na parede laranja marcas do silêncio engasgado, talvez um dia a textura conte o por que desbotou, desmancha enegrecendo o nó que preso a garganta tornou-se apenas uma fita comum, isso por que deram-lhe ácido para beber.
Ruinas do triste fim apanhado em minhas mãos como criança ao desfalecer , já não mais adianta chorar por aquele que já morreu em sua própria cova, a pá ainda é guardada debaixo do colchão que deito todas as noites.
Esturricada algumas lembranças sobraram por entre as cinzas, em labaredas memórias que ainda teimam em ascender.
O tempo parece ganhar a força de mil homens para que seus ponteiros rodem anti-horário ao som da marcha funebre, lá velam o pobre presente sem sorte na vida.
Em presença lá estão todos os que ajudaram a envenena-lo um pouquinho a cada dia, com tochas nas mãos prontos estão para lançar seu corpo ao fogo.
Lá vem o vento forte assoprando com o seu mal hálito a única esperança que o pobre pedaço em carvão perseverava a ter, agora nem o pó sobrou para deixar ao passado algo ao que pensar.
Enxergo apenas o zumbi a vagar com sua carne emputrecida lançando seu asqueroso perfume nos comodos de minha insanidade.
Delírios de uma mente cansada.
Um instante, apenas um instante.
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 1167 reads
Add comment
other contents of cecilia
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/General | Força de voltar | 10 | 1.106 | 11/19/2009 - 20:27 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Amor virtual. Mais um tipo de casal! | 10 | 1.331 | 11/18/2009 - 23:43 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | Carta de Amor | 14 | 1.444 | 11/17/2009 - 01:32 | Portuguese | |
| Poesia/General | Desabafo | 10 | 1.641 | 11/17/2009 - 01:31 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | As palavras se foram | 8 | 1.588 | 11/15/2009 - 19:23 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | Poeta, poeta volte a amar | 17 | 1.554 | 11/15/2009 - 10:27 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | Entre salvação e pecado, escolhes que lado? | 4 | 1.516 | 11/14/2009 - 17:10 | Portuguese | |
| Poesia/Amistad | Caminhada | 5 | 1.487 | 11/14/2009 - 12:18 | Portuguese | |
| Poesia/Tristeza | Ontem esperei de você | 11 | 2.106 | 11/14/2009 - 12:06 | Portuguese | |
| Poesia/Aforismo | Amor de poeta | 16 | 1.609 | 11/14/2009 - 12:00 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Meu pedido | 4 | 1.573 | 11/13/2009 - 23:46 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Alma de Poeta / Dueto de Clayton e Cecilia | 7 | 1.547 | 11/12/2009 - 11:22 | Portuguese | |
| Poesia/Tristeza | Minha poesia | 18 | 1.789 | 11/12/2009 - 11:04 | Portuguese | |
| Poesia/General | História da Minha Vida | 10 | 1.628 | 11/10/2009 - 17:58 | Portuguese | |
| Poesia/Aforismo | Meu Amor | 4 | 1.268 | 11/09/2009 - 02:47 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | AMOR E AMIZADE | 6 | 1.837 | 11/08/2009 - 01:06 | Portuguese | |
| Poesia/Pasión | Meu amor | 4 | 1.682 | 11/05/2009 - 11:09 | Portuguese |






Comentarios
Re: Delírios de uma mente cansada.
Destroços das paredes em falso alicerce cobrem a sala que um dia foi mais do que agora restou.
Um começo em terramoto!!!
Enxergo apenas o zumbi a vagar com sua carne emputrecida lançando seu asqueroso perfume nos comodos de minha insanidade.
Delírios de uma mente cansada.
E termina numa estranha bonança!!!
Um belo poema, uma tempestade de prazer ao ler, engasgas o silêncio poeticamente de forma genial!!!
:-)
Re: Delírios de uma mente cansada.
Henrique,
Fiquei muito feliz pelo seu coemntário.
Abç.
Re: Delírios de uma mente cansada.
Todos temos esses momentos...
Que teima em chegar, teima...
Adorei!!
bjs querida.
Re: Delírios de uma mente cansada.
Nize,
Verdade.
Agradeço por comentar.
bjs.
Re: Delírios de uma mente cansada.
"Em presença lá estão todos os que ajudaram a envenena-lo um pouquinho a cada dia, com tochas nas mãos prontos estão para lançar seu corpo ao fogo."
Cecilia, eu diria delirios se uma mente lúcida
beijo
Re: Delírios de uma mente cansada.
Alberto,
Agradeço por comentar.
A mente é uma poderosa vidraça do que pensamos.
bjo
Re: Delírios de uma mente cansada.
Adorei ler-te Cecilia..muito bom mesmo!
Re: Delírios de uma mente cansada.
Agradeço Fatima por teres comentado. bjo
Re: Delírios de uma mente cansada.
Cecilia,
Apenas um instante em que a mente mergulha no porão do inconsciente e se decodifica nessa tua profunda,rica e reflexiva poesia.
Adorei ler-te.
Abraço.
Suzete Brainer.
Re: Delírios de uma mente cansada.
Suzete,
Agradeço o comentário.
Por um instante é bom por para fora o que estava a tempos guardado no velho e escuro porão.
Abraço
Cecilia Iacona