Vamos fazer um poema...
Vamos fazer um poema,
escrito pela mão de pena da nossa alma...
Infinito no sentido de cada palavra,
rimado, ritmado,
protegido pela estrutura desafogada de estrofes,
onde cabem todos os versos desmetrificados...
Sem palavras eruditas que só convencem os intelectuais,
que as aprendem e as entendem,
sem saber mais do amor...
Um poema analfabeto,
descoberto ao acaso,
quando os homens forem maquinas, num futuro promissor,
deslavado,
quando a poesia for uma memoria
contada por velhos medicados e fechados em hospícios...
Uma cápsula do tempo, em marco de história,
feito em letras manuscritas,
saídas do peito, aflitas...
Pode ter erros,
pode ser simples,
pode ser bronco...
Mas que seja poema no sentir!
Que nos fale de sonhos e de esperanças,
mesmo que humildes!
Que nos lembre a inocência e a valência de todas as coisas belas!
Que fale de crianças, ou de gentes apaixonadas...
Que diga apenas:
Eu gosto de ti, porque sim e não sei escrever mais nada...
Um poema filho de poemas e neto de poemas e bisneto de poemas...
Sem brasão de família...
Mas com um pai e uma mãe e um irmão
que se amem no Natal com bacalhau com todos, (ou com nenhuns)
mas de corpos encostados em calor,
porque não há lenha para a lareira...
Um poema que nos lembre a primeira vez de um beijo...
Ou a vez seguinte...
Ou as lágrimas de uma partida em despedida...
Que nos fale de alguém que fez alguma coisa,
ou que não fez coisa nenhuma,
mas que fale de alguém...
Ou que se cale em silencio por ser recordação...
Um poema que seja canção,
ou oração,
ou adivinha,
mas que seja alguma coisa!
Uma ladainha carpideira, ou um alegria em euforia..
Que relate uma vida inteira,
ou fale de um dia, ou um momento, ou o relance de um olhar...
Um poema que se lance através de nós e nos toque,
nem que seja ao de leve...
Um poema, longo, breve...
Que nos liberte, que nos sufoque...
Que seja mar, que seja rio, que seja lago, que seja poço
que seja poça, que seja gota...
Que seja vago, concreto, abstracto, directo...
Um poema que seja...
Nosso...
Inês Dunas
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Poesia :
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Comentarios
Re: Vamos fazer um poema...
Re: Vamos fazer um poema...
Um professor de literatura disse-me uma vez que os poetas ao seguir as regras gramaticais e literárias acabam com a poesia dos versos e da alma.
Falou-me também, que este mal é necessário para a sobrevivência de nosso idioma.
Parece que assiste a conversa, e fizeste o que ele propos fazermos depois da aula.
Brilhante adorei, posso te garantir que tentei mas não me dei bem, policiei toda a escrita e sentido do poema.
Mas teu poema teria levado nota 1000 deste professor que procura inovar e recriar.
Parabens!!!
Re: Vamos fazer um poema...
Vamos fazer um poema,
A magia da tua doce pena.
vamos criar lugares
Naufragar em benditos mares
vamos encher folhas de sentimento
tendo o coração como intento
Pérolas amantizadas na boca das ostras
Tesouros fundos e castos nas verdes veredas
Vamos fazer um doloroso poema
nas finas giestas de um trágico tema
E depois de o criar, de o embalsamar
em lágrimas de sorrisos rupestres
anunciaremos aos Deuses, nós os Terrestres
Tambem sabemos encantar.
Lindissimo o teu poema Libbris!
Re: Vamos fazer um poema...
Um poema, que seja, como nós somos,
que fale de nós, realmente, sem artifícios.
Gostei de ler.
:-)
Re: Vamos fazer um poema...
Conseguistes escrever todos poemas em um só,
resumindo nossas vidas e emoções, criando um elo
do amor e do belo.