Narciso - Poesia e Prosa
Narciso
Na margem consciente,
Desse parado lago,
De passividade aparente,
O homem renasceu de coração sanado.
Das feridas de oco deslumbre,
Transcendeu-se.
Queimou o fato terreno na pira fúnebre,
Fez renascer o amor e a alma,
(E…) O milagre deu-se,
Na cauda da calma.
Narciso vislumbra-se com o seu umbigo,
Cicatriz que conversa
e lhe diz, sem pressa,
Verdade séria de amigo.
…
(É que o seu amado umbigo
Grita e fala mais alto
que o seu amigo lago
que perene repousa a seu lado)
Descodificando: « Enganas-te, amigo lago, algo se transformou dentro de mim. Não olho para o meu umbigo por ser o centro do meu corpo. Olho para o meu umbigo por que é a única cicatriz comum a toda a humanidade… até a todos os animais lactentes nossos parentes que com leite alimentam os filhos. Olho para o meu umbigo porque ele me diz ser a prova única e derradeira da generosidade de Deus, força criadora e unificadora. E esse Deus é Mãe. Lembro-me da minha mãe quando olho para o meu umbigo. É a única cicatriz de puro amor. Quando o observo, não esqueço que todos provimos de alguém. A maternidade é uma Lei muito antiga. Tão antiga como os tempos. Presto total devoção, apego e amor por esta minha vida terrena e guardo a lembrança gravada no centro do meu corpo. Quando olho para o meu umbigo, recordo os tempos em que já estive ligado a esse mundo placentário. Esse centro de vida que me deu forma e força para me tornar o que quiser, enquanto aqui estiver. Mas agora, já não quero ser quem fui. Quando julgava ser belo, era mais monstro. E é preciso vencer o monstro que existe no interior de cada um. Por isso, de hoje em diante deixei de ser o mesmo que em tempos conheceste. Deixei de ver o meu reflexo em ti e passei a ver a tua beleza única. Consigo escutar-te e amar-te. Deixei de ser Narciso e passei a ser pessoa.»
Registo de propriedade intelectual: IGAC – Processo nº 5329/2009 – in [i]Coisas Ingénuas… [/i]
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 2176 reads
Add comment
other contents of RICARDORODEIA
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/Aforismo | Pequena verdade pequena | 0 | 2.094 | 11/18/2010 - 15:41 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Morte-Deusa-mãe-estrela-Útero-Nascimento | 0 | 1.599 | 11/18/2010 - 15:41 | Portuguese | |
| Poesia/Aforismo | "Parto" de Alma Lavada | 0 | 1.823 | 11/18/2010 - 15:41 | Portuguese | |
| Poesia/Aforismo | A Vaidade | 0 | 1.941 | 11/18/2010 - 15:40 | Portuguese | |
| Poesia/Aforismo | A origem do Poder | 0 | 2.168 | 11/18/2010 - 15:40 | Portuguese | |
| Poesia/General | Alegoria da Cascata | 0 | 1.806 | 11/18/2010 - 15:34 | Portuguese | |
| Poesia/Poetrix | Problema de visão I | 0 | 1.860 | 11/18/2010 - 15:32 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Existe pólen com desejos de Vida... | 0 | 1.946 | 09/30/2010 - 00:54 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Embrião, Feto, Filho… | 0 | 2.012 | 09/24/2010 - 14:43 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Cão Vadio (ensaio a dois sonetos) | 1 | 2.031 | 09/21/2010 - 17:22 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | Pecado Original | 1 | 2.083 | 09/05/2010 - 23:38 | Portuguese | |
| Poesia/Desilusión | Homem de rocha sente (ensaio sobre a culpa) | 1 | 1.546 | 09/05/2010 - 22:53 | Portuguese | |
| Poesia/Fantasía | Parábola dos sonhos | 2 | 1.915 | 09/02/2010 - 19:01 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | O Busto Perfeito | 2 | 1.916 | 08/28/2010 - 23:46 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Cão Vadio | 1 | 1.731 | 08/17/2010 - 18:39 | Portuguese | |
| Poesia/Acróstico | Adormece... | 1 | 2.378 | 08/12/2010 - 20:45 | Portuguese |






Comentarios
P/Ricardo
Maravilhoso!
Gostei muito do Narciso-poesia e prosa,encantador o teu estilo;a criatividade e a profundidade filosófica com belas construções poéticas...
Obrigada por compartilhar
Re: Narciso - Poesia e Prosa
Cicatriz que conversa
e lhe diz, sem pressa,
Verdade séria de amigo.
Muito bom!!!
:-)