Expresso descafeinado

E tinha apanhado o expresso,
para evitar a palpitação da dor.

Pediu um descafeinado
fora de horas,
sem açúcar, gesticulado,
derramado no chão, confesso,
hipotético - quase.

E foi um momento trincado
com doce de amoras
nos teus olhos, derretido,
evidência sem ter base;
vertiginoso, sublimado,
pouco certo - denegrido.
.
Em poucas palavras:
capas em mote,
o corpo sugerido, divulgado
que eu não meço.
Convidado quando choras
na terra que lavras,
mordaz universo, elástico;
de um azul que me despeço -
quimera, fantástico.
.
Entre tombos,
gestos em cor consagrada,
desmesurada
na respiração, no cântico
de lábios rombos - fechados;
gelados como os meus.
.
Domínio.
O vento.
Segredos em riste.
A voz do declínio
na saudade genial,
no rodopiar do fascínio
em despiste
amordaçado - fatal.
.
E a noite fugindo
no aroma fugaz.
.
O amor é inverso
a um expresso descafeinado.

rainbowsky

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Martes, Septiembre 14, 2010 - 23:38

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rainbowsky

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Comentarios

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Re: Expresso descafeinado

A evitar então descafeinados, e expressos...

Domínio.
O vento.
Segredos em riste.
A voz do declínio
na saudade genial,
no rodopiar do fascínio
em despiste
amordaçado - fatal.
.
E a noite fugindo
no aroma fugaz.

Como sempre um belissimo poema.

Abraço amigo Rain

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Re: Expresso descafeinado

De acordo.
Por isso eu preferia um cimbalino longo, com toda a cafeína a que tem direito, bem encorpado, nas letras do nascer ao pôr do sol, se possivel algures encostado em dueto junto ao Douro ou junto à prata da lua no mar...um café à portuense para um amor vertido em cada dia, sem se esgotar num pensamento do sabor que se afasta quando a pasta de dentes atravessa as estrelas do sorriso.

:-)

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