FLOR DO SEGREDO
O veneno inoculado em minhas artérias
É teu e de ti – me vem todo o sofrimento,
O extertor e a morte de quem era...
Eu – antes que tu – pelos azares da vida
Me encontrasses!
Mas Quem és Tu – executor
do meu destino?
Que guilhotina é essa
Que me arranca a cabeça
E a lógica do mundo
No qual vinha vivendo
A minha estória?
Quem és tu – algoz
Do meu destino;
Que gera o caos
Na displicência de meus dias
Dos outroras – tão sempre
Que o costume
Traz-me agonia
Pelos ontens esquecidos
Nas dobras do nada
Deste agora!
Eu sinto e vejo e toco
E cheiro a morte
Dos meus Eus,
As máscaras furtivas que se esvaem
Das mãos que tentam segurá-las
Na face sem face do meu hoje!
E a morte convidada
Está presente
Destruindo o arcabouço dos valores
Do que eu disse crer
E que desejo conservar
Para sentir que vivo ainda
E que ainda sou...
Mas posto que; “Ser ou Não Ser
É a questão”
Que pouco importa
Reter o que se creu fosse verdade
Quando se vê que além de toda a morte
Ainda respiro a vida
Que me insiste...
Ainda que tudo o que eu era,
Já não seja!
Vejo-me diante do insondável
Quando atino
Que ao ser o que eu pensava
Eu nada era...
E no não ser que enfim me rende
Faço-me tudo...
E tu - O algoz – O carrasco
Ou inimigo
Cuja navalha fere a minha carne
E me derrama o sangue, sem tristeza
Me dá sem o saber
A Vida Eterna
A face sem face – Tão gloriosa
Da Essência de Deus;
Flor do Segredo
Que as máscaras de Eus
Sempre esconderam!
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