CAMINHANTES
Cada vez que eu disse adeus
Cerrei os olhos
Guardando na memória
Todas as lembranças
Do antes e durante
A trajetória
Antes do adeus...
Quis sempre
Tudo ver – reter – guardar ...
menos o instante fatal
Da despedida...
E cada adeus eu disse assim
de olhos fechados,
tornando abri-los
somente após
Ter dobrado as esquinas da vida
Para ver apenas
A estrada do futuro
Descortinada, outra vez,
à minha frente!
Então sabia eu – que ao ver caminhos novos
Não chorariam os meus olhos,
Pelas imagens que ficaram no passado
Do qual estava desistindo...
Pelo contrário – olhos curiosos,
Abertos às novidades,
Distraíam-se em
Decorar a nova geografia
Do mundo novo
Aberto ao foco
Do meu olhar de então,
Brejeiro e sorridente!
... Mas os adeuses foram sucessivos
e pungentes...
E a saudade veio a tona das lembranças
Que eu guardara, de repente
E sem aviso prévio
Fez meu olhar encher de lágrimas
E minha alma chorar todas as perdas
Das coisas que deixei
Pelos caminhos
Aquém
Das esquinas que dobrei
Sem vacilar!
De olhos fitos nas memórias recobradas
eu finalmente encontro
O meu destino
E me descubro
Estrangeira, viajante de passagem
Por estórias humanas
Que em algum lugar
Longe de mim
No tempo e na distância se concluem
Sem que eu possa ler o fim.
Sem saber nunca
Quem fui eu – noutra memória;
Que também desconhece
Sua conclusão final na minha estória...
- Somos de fato:
- - Sei hoje,
- Vejo agora...
Apenas caminhantes
De outras vidas
De passo
por destinos inconclusos
cujo desfecho
nunca nos pertence.
Agora eu vou pisar devagarinho
Em cada terreno
Que tiver de palmilhar
E nunca, nunca mais
Eu vou fechar
Os olhos
Se o momento final
Do adeus vier para qualquer estória
Que eu viver.
Desejo ver nos olhos
De quem parte
Partindo – as cortinas do palco se fechando,
Levando atrás de si
A imagem do que eu fui
Na vida sua!
Desejo a conclusão,
O fecho,
E a lágrima da hora
Que eu antes evitara...
Assim todas as lembranças
Serão levadas
Pelo pranto
No próprio instante
Da despedida.
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