Quiméra Vaga

O céu rasgou-se laranja
E depois entorpeceu
Livrou-se das cores em trança
Zangou-se e escureceu

Adormeceu sobre a terra
Com uma lágrima no rosto lavrada
Chorando no silêncio que a governa
Banhou-se de luz prateada

Fazendo-me querer que o fizéra
Mostrou-me a noite, negra e ousada
Chamou-me à vida com sua quiméra
Fazendo-me assim, de tudo e de nada

Escorreguei dos braços para a vida
Dádo ao primeiro passo de primavera
Com uma mão aberta, ao céu erguida
Outra, amparada, na flor que me trouxera

Tantos beijos vejo cantar
Como plumas, sopradas no vento
Lágrimas doces, tristes, varadas pelo olhar
Com sua túnica, rasgada, pelos açoites do tormento...

Num banco de pedra descansou
Junto de uma fonte, que, entre rochas cantava,
Aí, o bom senhor, os pés lavou e a sede matou
Traçando no seu caminho, uma vontade sagrada.

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Viernes, Abril 16, 2010 - 02:12

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antonioduarte

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