Olhos de nafta

O mar continua azul ao largo dos portos que conheço.
Assim os vêem as mil e uma almas à minha volta,
principalmente os turistas vindos dos países gelados
(o paraíso nasce aqui e disso não têm dúvidas).
.
Só vejo água negra, nafta a boiar no dorso das baleias
e na superfície das algas que alimentam as trevas.
é uma película cada vez mais resistente que me cobre
o olhar. Só alguns pescadores não se admiram
com as «alucinações a que sou submetido». só eles
percebem que o azul é escuro demais para ser puro,
mesmo que o seja no seu espaço natural.
.
Falo com eles durante as tempestades
quando cosem as redes melancolicamente
sem saberem quando o mar lhes será bondoso de novo
e os faça lanar os barcos às aguas.
.
O mar de almas morre sem esperança nos portos de algas
porque as baleias choram nos barcos com elas;
as películas das trevas são petroleiros
que a raiva e a desilusão causam nas redes naturais
já que os turistas desconhecidos nem compreendem.
.
É o fim da linha.
Mais nenhuma rede pode ser remendada,
mais nenhum coração pode ser sujeito à felicidade.
.
A luz e o azul puro que os outros vêem
apenas povejo com tristeza...
e olhos de nafta...

 

rainbowsky

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Martes, Diciembre 21, 2010 - 19:59

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