ESCADAS

Subi a escada que dá ao sótão
remexi nos cacos de gerações
que se partiram
ao atingirem a idade do escuro.
Não havia luz,
senti essas vidas pelo tacto,
senti que não se diferenciavam
da minha geração,
senti a omnipresença
de pais
avós
bisavós
no interruptor
que não acende
mas se sente
quando os genes ocultos
se revelam nas piores memórias.
Foi por isso
e por estar também
na idade do escuro
que a escada que dá ao sótão
deixou de respeitar gerações
e fez-me cair
sobre os meus próprios cacos
que deixo espalhados
pelos muitos degraus
que um dia chegarão a escadas
levando a próxima geração
a não tactear na vida!

JFV
 

Submited by

Lunes, Marzo 14, 2011 - 16:03

Poesia :

Sin votos aún

JOSEFVICENTE

Imagen de JOSEFVICENTE
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 14 años 46 semanas
Integró: 03/02/2010
Posts:
Points: 438

Comentarios

Imagen de SuzeteBrainer

Maravilhoso o teu poema que

Maravilhoso o teu poema que faz uma analogia entre escadas e a vida com os seus degraus,caminhos,repetições e a experiência transformada em sabedoria como uma nova forma de caminhar...

Gostei muito de ler-te!

smiley

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of JOSEFVICENTE

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Ministério da Poesia/General RESSALVA 0 753 11/19/2010 - 18:26 Portuguese
Ministério da Poesia/Desilusión MULHER 0 1.351 11/19/2010 - 18:26 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo O VAZIO 0 1.269 11/19/2010 - 18:26 Portuguese
Ministério da Poesia/General NADA SEI DA VIDA 0 996 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo LIVRO EM BRANCO 0 1.057 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo A vida afoga-me os olhos 0 809 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo As mãos sujas de terra 0 817 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Amor O DESEJO DE INSTANTES 0 869 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo SERENO 0 845 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo SERENO 0 853 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo Não se pode descansar 0 713 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo A DOR DOS SENTIDOS 0 936 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo AQUELE ABRAÇO 0 935 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo TELEFONEMA 0 909 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo SEM MEMÓRIA 0 919 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo ELIXIR DA JUVENTUDE 0 971 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo FIM DE ANO 0 1.046 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo CLARidade 0 1.262 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo Sou como o silêncio 0 949 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo Sou como o silêncio 0 902 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo Maior que a terra 0 1.167 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/General ALFINETADAS A ALGUNS EFES 0 838 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo NATUREZA 0 1.133 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo Garras em duelo 0 938 11/19/2010 - 18:25 Portuguese
Ministério da Poesia/Aforismo Noivos das sombras 0 966 11/19/2010 - 18:25 Portuguese