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Com voz desordenada, sem sentido

Com voz desordenada, sem sentido
e com olhos de lágrimas cobertos,
soltava o peito em ásperos desertos
entre um vale escuro, empedernido,

Silvano triste, a quem endurecido
têm de uma bela Ninfa os desconcertos.
Perdendo a esperança dos incertos
bens em que a Fortuna o há metido

(mas volto em si um pouco) perguntava
a si por si o pastor. Desta tristeza
levanta o coração já desmaiado

e canta, como quem melhor se achava:
«Não desmaies, esprito, na pobreza,
que a fortuna à razão é mau treslado!»

Luís Vaz de Camões

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domingo, fevereiro 22, 2009 - 21:07

Poesia :

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LuisVazdeCamoes

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Comentários

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Re: Com voz desordenada, sem sentido

Muito bom, gostei de ler! :-)

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