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DIAS ASSINALADOS

Os dias assinalados

 

 

Dia do pai, dia da mãe, cada dia tem o seu nome,

Para gastar o dinheiro com que se come,

Para se ganhar ainda mais e tornar a gastar,

O dinheiro que se ganha é que nos faz trabalhar.

 

Inventam-se os nomes e os dias são assinalados,

Para fazer girar ainda mais os mercados,

Gastando o que se tem e o que não se tem,

Para fazer lembrar o dia do pai e dia da mãe.

 

Também inventaram o dia da mulher,

Para que os homens não se possam esquecer,

Que nascem dela, e consideram-na um ser menor,

Entristecendo a sua alma e no coração causa dor.

 

Também não esqueceram do dia dos namorados,

Mas não assinalaram o dia dos cansados,

Que não querem trabalhar mas querem receber,

Porque trabalhar faz calos e até faz doer.

 

Um dia muito importante, o da criança também vem,

Até dizem que são o melhor que o mundo tem,

Mas o mundo não é a melhor coisa para ela,

Porque é violento e apenas no papel pensam nela.

 

O dia da árvore também existe, é contemplada,

No calendário também é assinalada,

Mas agressões que lhe é feita pelos criadores,

Parece que por ela não sofrem de amores.

 

Porque não se criou também o dia da vida?

Será que ela ficou no calendário esquecida?

Pois sem vida apenas existe negro do nada,

E a matam-se as vidas e tantas são desperdiçadas.

 

Os dias são infinitos e a vida não é para sempre,

Ensinam a matá-la com jogos deprimentes,

Como se fosse possível a vida ressuscitar,

Marquem mais este dia mas não ensinem a matar.

 

 

 

Tavira, 19 de Março de 2012-Estêvão

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quarta-feira, fevereiro 18, 2015 - 13:18

Poesia :

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José Custódio Estêvão

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