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FUI Á GUERRA

FUI À GUERRA

 

e partida estavam os olhos meus,

Estava triste e à mercê de Deus,

Dum lado tinha um mar de gente,

Com o coração apertado e a tremer,

Por não saber se os seus entes queridos iriam volver,

E do outro lado tinha o mar que nada sente.

 

Às ordens do poder estava com vontade de chorar,

Para bem longe partir, para além - mar,

Sentia revolta, tristeza e nada podia fazer,

Se não partir para uma guerra sem sentido,

Sem ter a certeza se um dia aqui era volvido,

À terra que um dia me viu nascer.

 

Entre choros, lenços brancos lágrimas e gritos,

Estávamos ali todos muito tristes e aflitos,

Para uma despedida sem sabermos se havia regresso,

Aquele monstro flutuante estava bem saciado,

Com o seu ventre cheio de um corpo armado,

E a mente confusa, virada do avesso.

 

Parti para o outro lado do mar,

Pronto para me defender e matar,

E assim dei início a uma máquina de guerra,

Durante um ror de tempo que não mais tinha fim,

Com tantas saudades do lugar donde vim,

Obrigado a cumprir uma missão nesta terra.

 

Entre tantos mortos, estropiados e feridos,

O tempo cessou sem haver vencedores e vencidos,

De regresso ao meu país de nascimento,

Cheio de traumas e uma arreliante depressão,

Que ainda hoje afecta o meu coração,

E me causa tanto sofrimento.

 

Tantos anos volvidos ainda naquela guerra combato,

Nos meus sonhos que me deixam assustado,

O poder nunca mais quis saber como eu estou,

Sofro sozinho com os meus fantasmas de guerra,

Adquiridos naquela distante terra,

E ninguém comigo mais se importou.

 

 

2008-Estêvão

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terça-feira, novembro 27, 2012 - 10:50

Poesia :

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José Custódio Estêvão

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