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Mãe

Porque partiste tão cedo desta vida?
Foste alma pura, pluma angélica ao vento,
a mais perfeita criação que Deus tem,
foste a matriz de um futuro que não mais termina,
carinho, amor, entrega, dedicação desmedida,
lançaste sempre um olhar de calma dentre o tormento,
és tudo, e tudo serás para sempre minha mãe,
pois de ti tudo surgiu, foste a semente que germina.

A graça de um sorriso, o toque que apaga a dor,
a mão que afaga, que educa e que aponta,
a voz que consola, apraz, alegra e contém.
Foste meu príncipio e não, nunca o meu fim.
Minha tão grande força, tão grande amor,
visão que tudo diz e nunca desaponta,
foste minha vida, minha alegria, minha mãe.
E agora levaram-te de mim.

Por ti choro minha mãe, ai como desespero.
Sou orfão indignado, sou raiva que lamenta,
por ti grito em berros que não te alcançam,
em lágrimas que não te acordam,
em preces que faço e nada espero.
Em vã fé que em nada me alenta.
Por ti minha mãe, por ti, avançam,
os anos que por ti hei-de chorar em vão.

Mas persisto nesta desdita, porque mereces,
cada lágrima, cada grito, cada insensatez,
foste tudo o que acreditei ser real e perdi,
e se mais nada fizer, mais nada conseguir,
saberei sempre que ouvirás as minhas preces,
que tomarás por mim a minha vez.
e eternamente saberei que consegui,
pois lá estarás dando-me paz quando eu pedir,
dando-me este tão grande amor que sempre me ofereces.

E agora, neste futuro que me aguarda, que é meu,
hei-de devotar-me aos teus descendentes.
Serei forma humana de tua divina luz,
serei molde onde gerações de ti encontrarão,
o mesmo amor eterno que de ti brotou, que é meu,
que é meu, tão meu, tão belo que o pressentes,
nesse sítio tão etéreo onde estás e que produz,
fábulas de tempos que não mais voltarão.
 

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terça-feira, fevereiro 22, 2011 - 19:01

Poesia :

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neomiro

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