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Medo

Quando me deito sobre os lençóis frios
a tua ausência é maior que o escuro que invade o quarto.
Nos teus olhos há uma jangada que flutua na tempestade.
Eles andam sobre as ondas, trémulos, receosos.
Tuas mãos tremem,
teu coração palpita, sente.
Mas com o sentir há uma seta feroz
que faz caminhar devagar.
O sol desce sobre as colinas ao fim da tarde,
as tuas pálpebras fecham-se quando a noite já vai alta,
mas diferem da tranquilidade
quando se voltam a abrir a meio da noite,
e um zumbido nos ouvidos
de uma voz que sacode a alma de tão volátil e agreste que é.
Há uma penumbra e um nevoeiro
no caminho que sabes e queres seguir
mas tens receio de falhar os passos,
medo de falhar os rochedos certos
para não caires no abismo.
Medo de cair da muralha.
Medo de perder a pedra mais preciosa do mundo,
irrequieta, a tua paixão mais pura e genuína.
Tudo é tão complicado,
o céu é pontuado de estrelas
mas os dedos entrelaçados
são um perfume
que se conjuga muitas vezes no singular
quando desejamos estar perto,
quando queremos estar juntos
e não é possível.
Mas há um sinal que não se pode esquecer:
O amor.
E os meus olhos tinham amargura.
E eu vivia na minha solidão.
E não conhecia os teus olhos.
Mas sabia que existias.
Estavas no meu céu.
Via o teu brilho.
Perguntava à estrelinha:
- És tu meu amor?
Aparece, fala-me de ti.
E um dia vi-te.
E nesse dia falaste-me
sem sequer imaginares que me falavas.
E eu senti.
E eu vi.
E eu sinto.
E eu vejo.
E eu quero.
.
As noites são frias.
Os medos tão grandes.
Mas a esperança, infinita.
Quero-te
e sei que me queres.
Levanta-te...
dá um passo...
de tiveres de recuar um para avançar dois fá-lo.
Estou,
estarei sempre
de mão estendida
à tua espera.
Espero,
Espero...
Tenho medo
que desistas.
.
Ouço os murmúrios irrequietos
que povoam a tua alma.
Tens asas, conseguirás voar,
mas receias não conseguir abrir-las
no primeiro voo.
.
As estrelas estão sempre no céu
mesmo quando as nuvens e a penumbra
teimam em não deixá-las visíveis.
Assim como elas, também não consegues ver-me
por vezes mas estou mesmo ali.
.
O teu desejo de atingir um sorriso supremo é grande,
o teu desejo de ser feliz é extremo
o desejo de mudança é certo.
A tua cabeça gira a mil à hora.
És como um atleta de saltos para a água
que tem vestigens.
Ora avanças sobre a prancha ora recuas,
e a cada vez que ficas indecisa
o pânico cresce,
a prancha parece mais pequena
e a altura cada vez maior!!!
.
As consequências,
essas interrogações que fazem tremer o coração
levando-o à inércia
fazendo-o sofrer ainda mais.
É como uma bola de neve,
inocente, pequenina, leve
que se atira de um lado para o outro
e faz sorrir numa brincadeira.
Depois rola, aumenta:
assusta.
As mãos tapando os ouvidos para não morder
a voz que chora.
.
Mas há um guerreiro no mais íntimo lugar secreto
que te compõe.
Dá-te força,
mantém-te viva,
dá-te esperança.
Só precisa que o tires das masmorras interiores
e o deixes guiar-te
sem temer.
.
Os muros são altos?
Eu serei mais alto para estar perto de ti.
A distância é muita?
Eu farei uma ponte com os meu braços
para te ter junto de mim.
Há espinhos?
Serei rosa vermelha para tingir de vida
o teu corpo gelado pelo receio.
Há curvas sinuosas?
Serei um guia que acompanhará os teus passos
trilhando a teu lado
até à libertação.
Fechas os olhos e choras copiosamente
num momento de solidão que ninguém vê
e apetece-te desistir.
Apetece-te largar o mundo?
MAs então há dois mundos que precisam
e querem que sejas o seu universo.
Um é mais pequeno e chama-te doce
o outro é maior e chama-se ternura.
Um deles é ele,
o outro sou eu.
.
Sento-me num banco de jardim.
No rio a água não corre para me lavar o rosto,
mas eu naufrago na saudade mesmo sem barco
nem água.
Tenho os lábios secos, com sede de ti.
.
Atravesso o caminho envolto pelas árvores
sorrateiramente.
Fico perto.
Olho o céu mais uma vez.
Brilhas.
.
Há no meu peito um amor inquebrável.
Um medo intenso de te perder,
mas uma certeza absoluta de que não perderei.
.
Há no teu peito um amor inquebrável
Um medo intenso de me perderes
e ainda outros que conheço e consigo sentir
quando te olho
e os vejo de forma tão transparente e visível
perante o que és
e o que sinto.
E não me perderás.
.
Deitas a cabeça na almofada,
sou estrela que te observa pela janela:
nua.
.
Eu vejo-te,
e não me desiludo.
E não fujo
E gosto de ti, porque és tu.
E eu amo-te como és.
Puxas o lençol sobre o corpo
e adormeces.
Ajeito-o melhor.
Ilumino-te.
Não deixo que haja mais escuridão
e afasto a que aparecer.
.
Ao teu medo
junto o meu.
Da minha certeza absoluta que nunca me fartarei de ti,
que nunca deixarei de te amar
que nunca desistirei.
E rezo, e peço ao teu coração
que nunca se farte,
que nunca desista,
que nunca desistas.
Que a vontade é maior que qualquer medo!
Que nada conseguirá vencer este amor infinito
porque nada conseguirá ser mais poderoso
nem resistir-lhe!
.
Que somos almas gémeas
que uma vez juntas
nada nem ninguém separará.
.
Diz-me que somos como um só ser.
E que um único ser nunca pode dissolver-se.
.
Sente como eu sinto,
e juntos como um só
triunfaremos
com o nosso amor.
.
Desistir?
Nunca, nunquinha!
.
O medo diluir-se-á
e será apenas uma lembrança
que fortalecerá a cada dia
esse amor intemporal...!
.
Entrego-me a ti.
Fica comigo
porque eu já te pertenço.
.
Contra todos os medos:
merecemos.

rainbowsky

Submited by

segunda-feira, setembro 20, 2010 - 11:13

Poesia :

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rainbowsky

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Comentários

imagem de MargaridaRibeiro

Re: Medo

Ter medo é estar vivo. Impedir que o medo nos impeça é morrer um pouco.

Mas continuar a viver e prosseguir ainda que com uma ponta de medo é coragem!

É assim um pouco em cada dia: ter coragem de avançar...mesmo com medo.

O teu poema gigante é portanto um grito de sobrevivência. Louvo a tua coragem e as letras que geraste nesse medo.

:-)

imagem de Quimeras

Re: Medo

Poema grande e grande poema. O amor vence todos os medos.

Quimeras

imagem de Henrique

Re: Medo

Um poema fantástico rainbowsky!!!

Grande em tamanho quão em conteúdo!!!

Muito bom!!!

:-)

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