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O Calar das Armas

Hoje o silêncio parece um refúgio simpático
Para a minha voz
E o cansaço da batalha pulsa no meu coração cansado
Como um murmúrio de corvo moribundo.
A minha mão suspira sobre a espada morta
E, perante a espada, eu juro
Não voltar a erguer as mãos ao altíssimo céu do sonho
Que paira sobre a memória do silêncio fragmentado.

Hoje, o meu peito sangra no limiar do esquecimento
E o abismo abre-se sobre a minha garganta amordaçada.
Juro aos deuses do oráculo perdido
Que a minha pena não se voltará erguer nos gritos do anseio
E que a banalidade dos ecos que me cativaram a esperança
Não deixará de morrer na mordaça do meu cárcere interior.
Deixo na pele os traços de um papiro ensanguentado
E bailo no limiar do abismo com a morte como Superior.

Hoje, o meu grito afoga-se nas marés da pedra tumular
E a lápide desertificada do que apaguei no destino
Queima as fogueiras do corpo que dorme dentro de mim
Como num sacrifício de esferas imoladas no altar do risco.
Durmo no sudário de um manto que me ensanguenta as mãos
Com o convulsionar moribundo das palavras amordaçadas
E, perante a cruz onde se estende o corpo da esperança desvanecida,
Juro aceitar o silêncio
Como reverso do meu adeus adormecido.

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quarta-feira, dezembro 24, 2008 - 14:48

Poesia :

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SRaven

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Comentários

imagem de Henrique

Re: O Calar das Armas

Um poema com arte, razão e sentimento!!!

:-)

imagem de MariaSousa

Re: O Calar das Armas

O calar das armas nem sempre significa o descanso do guerreiro...

Gostei muito.

Bjs

imagem de JillyFall

Re: O Calar das Armas

silencio, sepulcro...

muito, muito bom!

beijo

imagem de angelofdeath

Re: O Calar das Armas

Um representação muito original de como uma esperança não realizada pode afectar uma pessoa.
Parabéns.

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