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O homem que tinha pressa.

Era uma vez um homem que tinha pressa. Vivia correndo, sempre com pressa. Quando menino começou a ter pressa para crescer, por onde passava tudo derrubava. Amigos não os tinham, pois todos o achavam com pressa. Sentia-se só, e começou a correr. Corria de tudo, tudo nele era velocidade. Conheceu o amor, mas com pressa nem notou e assim foi sempre na pressa. Construiu castelos com pressa, destruiu sonhos com pressa. Muito cansado de correr e da vida triste que levara, resolveu mudar o curso de sua história, mas ele não sabia como fazer, pois seu coração estava com pressa. Não notou que sua pressa tantas vezes destruiu sonhos e não sabia mais esperar. Quando se tornou um homem adulto, conheceu uma mulher que um dia também havia tido muito pressa. Mas naquele instante ela descobriu o momento de parar e ficou ali, esperando seu amor chegar. O homem com pressa veio correndo e tropeçou na mulher e ficou encantado com a suavidade daquela mulher. Olhou por vários momentos e sentiu que devia parar. Começou então a observar a mulher ali sentada no caminho. Com ela viveu momentos de paz e alegria, então a pressa começou assolar novamente seu coração. Tinha pressa em tê-la em seus braços e começou acelerar a mulher, mas a pequena há muito havia desistido de correr. Desejava algo sereno e suave. Ela conseguia ver no homem uma paz que ele não cria. E ficou ali esperando o homem perceber. Mas a pressa dele era tal que não entendia a mulher. Começou a desconfiar da sua serenidade e paciência. A mulher começou a sentir medo, medo da pressa que um dia ela deixara. Resolveu então pedir ao homem que fosse, mas seria para breves momentos, para ele perceber que com pressa não se constrói amor. Ele então sofreu amargurado e não compreendeu a mulher. Começou sua correria novamente e achou que iria encontrar aquela mulher em outras. Ora, sua pressa não o deixava ver que cada um possui beleza única. Novamente cansado decidiu voltar ao local em que encontrara a mulher. Ela ainda estava no mesmo lugar, esperando seu regresso. Ele se vestiu com uma longa capa e disfarçado voltou. Tentou ver se ela ainda o esperava. Mas seu coração apressado novamente o traiu e feriu a mulher. Havia tanta pressa e amargura nele, que ele não notara que a mulher o havia reconhecido. Ela, o olhou encantada com o retorno e permitiu seu disfarce. A mulher o amava tanto e sabia que ele era seu grande amor. Ele a cada dia se vestia diferente e tentava arrancar dela uma pressa. Só que o coração dela não entendia o porquê daquela correria. Ela havia esquecido como era correr. O correr que agora ela acreditava era de mãos dadas. Ficou ali sofrendo com as mãos atadas ao colo, sem saber o que fazer. Como dizer ao homem apressado que somente as mãos dele poderiam erguer seu amor. Ele enfurecido, começou a se sentir abandonado. Não entendia a paz do coração daquela mulher. E foi pelo caminho dando voltas em torno de si. Não sabia o que fazer. Achava que aquela mulher que ele tanto amava, deveria ler seus pensamentos. Mas o que ele não entendia, é que pensamentos são nossos, a mulher tinha paz, mas não era uma vidente. Ele então a feriu e se feriu novamente. Ficou com as mãos atadas ao colo, se sentou na beira do caminho e até hoje espera a mulher do seu amor vir ao teu encontro. Hoje sem pressa talvez, este homem descubra que está em suas mãos o momento de recolher as dela.

Nize Louzan.

Para meu grande amor...

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quarta-feira, junho 23, 2010 - 04:30

Poesia :

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Nize

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Re: O homem que tinha pressa.

Gostei, muito agradável... mas será que a mulher não o pode ir confortar o seu coração irrequieto e cheio de duvidas?

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