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Pervigílias

Porque a sombra me regula,
enrosca trajecto à insónia,
sinuosa insciência,
fulminam-me jorradas ferezas,
paradigmas petulantes,
dos vendavais solares,
um negrume ao espírito evocado,
nem lira vociferada,
nem citara adornada,
promiscuíam inospitalidades aos soníferos.

Porque se as polpas meditassem,
em estaleiro lírico,
das trevas com aconchego,
sentiria lágrimas trespassantes,
mas,
resplandecem prados hidrofóbicos.

Travejo a ira do olvido,
esotérica acalmia masturbadora,
da íngreme transladação,
viagens às ferocidades escarpadas,
sonho diafanamente palpável,
mas,
desembocam silhuetas ejaculadas,
as luzes cegam à fisionomia,
intangível sombra da delícia.

Porque a vela suprimida,
é inversa do universo,
o resquício do torpor naufraga,
e,
das chamas exaladas ao funesto,
extermínio de rostos,
que silenciam,
nas injectadas almofadas,
nos aconchegados ansiolíticos.

Transtorno de terreais telhas,
no lugarejo da calçada descalça,
lapido luzentes com mofinos diamantes,
choveram rubores de negro rubi.

Com cartas de amor,
nunca enviadas,
edifiquei um templo,
ao vertical,
barragem à hipnofobia,
propicio sentimento ao repouso,
e,
do fumo hipnótico,
mais houvesse,
desejo de névoa que não desvanece,
mas,
os estores não cicatrizam.

Os brilhos rangem,
açoitam virulências tépidas,
renascem insalubres silhuetas,
que me atiram ao ausente,
na pestana vermelha se metamorfoseiam,
e,
na escuridade incompleta,
quero o sonho álveo,
abraçar os braços,
retrair as pernas,
por conchego fetal.

Porque a lucidez se desmorona,
visualizo o irreal vesânico,
aprisiono-me em candeeiro inverso,
porque os morcegos dormem.

O espaço esvai-se,
com ele o tempo não,
e,
se me direcciono à névoa leitosa,
corto os finos fios de luz,
as sombras quase morrem.

Porque espero,
desespero ao momentâneo,
enquanto o sangue flui às sinapses,
os fumos atordoam o adorno,
a masturbação desgastada,
não me levam as sombras,
para o dia aceso,
quando as trevas chamam,
ou fuga dos lampejos,
clamo-me metamórfico,
e aproximo-me do horizonte.

Do pêndulo do tempo,
retiro-lhe existência,
metafísica,
espaço nulo ao zero cronometrado,
e,
na permanência,
a evidência do sonambulismo.

© BM Resende

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quinta-feira, maio 28, 2009 - 16:15

Poesia :

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BMResende

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Comentários

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Re: Pervigílias

Sempre muito bom ler-te
Abraço

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Re: Pervigílias

Obrigado pelo elogio jopeman.

Abraço!

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