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Não Há Tempo

Era uma bela tarde de verão. Anita imersa em seus pensamentos viajava sem destino, por si mesma. Sentada a beira-mar às águas cristalinas iam e vinham como se estivessem a acompanhar seus pensamentos. Delicadamente molhavam seus pés que imergiam por entre a fina areia branca. O sol preparava-se para retirar-se ofuscando um colorido rosa alaranjado num céu límpido, sem nuvens... Ouvia-se o barulho das cigarras que cantavam, anunciando que a noite se aproximava. Absorta a tudo, Anita apenas pensava...
Neste instante meio atordoada escuta seu nome ao longe...
- Anita! Anita! Onde está você, menina? Era “Bá” sua eterna guardiã. Uma morena franzina, magrinha, baixinha, quem tirava Anita de seu momento de êxtase.
- Sim, Bá, estou aqui, junto ao mar... Estou a pensar... O que você quer? Respondeu Anita, um tanto quanto irritada.
- Venha jantar, a comida já está servida, vai esfriar... Gritou a mulher, com razoável paciência.
Anita respirou profundamente, Não tinha vontade de retirar-se daquele lugar e de seus pensamentos. Lentamente começou a levantar-se, ainda sentiu a água morna banhar seus pés mais uma vez...
- Anita! Anita!
- Estou indo. Estou indo. Respondeu um tanto contrariada.
A mesa já estava posta e o cheiro da comida pairava no ar. Era uma comida simples: arroz, feijão, purê de batatas, peito de frango grelhado e uma bela salada de palmito. O aroma era convidativo e espalhava-se pelo ambiente confortável da sala de jantar. A casa era bem aconchegante. Por fora era pintada de verde bem claro com as janelas em branco, cortinas leves esvoaçavam com a brisa que entrava pela janela... Ficava bem a beira-mar e possuía um lindo portão todo branco, cheio de flores!
Anita foi se aproximando ainda calada, imersa em seus devaneios, passou pelo portão entreaberto e pelo jardim, mas não sentiu o aroma das flores e da refeição que a esperava. Era uma moça muito bonita, de pele tênue, cabelos longos, olhos cor de mel, nem gorda, nem magra, possuía um corpo bem torneado, seios bem definidos, parecia uma miragem com 16 anos de idade. A menina estava desabrochando em mulher. A face rosada pelo sol deixava-a ainda mais bela.
Bá foi logo perguntando:
- Anita, o que há? Você está triste? A mulher a conhecia como ninguém. Foi quem cuidou da menina desde que nasceu. Filha única de um casal famoso, sempre muito ocupado com os compromissos profissionais, confiou a Bá, não somente o papel de Mãe, Pai, Educadora, Cuidadora...mas, principalmente, a grande representante deles, junto a Anita. Marcos e Míriam eram pais amorosos, no entanto, um tanto ausentes da vida da filha. Por vezes Anita se via, desde criança, amparada e consolada por Bá, que na verdade, foi quem estava presente nas festas da escola, nas dores de dente e/ou ouvido, nas febres, nos filmes da TV, nos sorrisos, nos choros enfim... até no medo do escuro, era ela quem a socorria e protegia.
- Não. Estou apenas pensando. Respondeu a bela jovem.
- Estou pensando em meus pais. Sussurrou baixinho. A mulher não chegou a ouvir.
- Ora menina! Que tanto tem para pensar? É tão jovem, tão bonita, você precisa é passear, se divertir, namorar...
Anita apenas sorriu. Um sorriso discreto, com certo ar de desânimo. “Faltavam apenas 03 dias para o seu aniversário, pensou sozinha:” será que meus pais chegarão a tempo?”...
E pensou que mais uma vez, seus pais poderiam não estar presentes quando precisava deles. Gostava demais de Bá, mas, por mais que ela fosse extremamente carinhosa, não era os seus pais. Sentia-se só. Uma discreta lágrima rolou sobre suas maçãs rosadas...
A carinhosa senhora percebendo que o momento não era dos mais festivos foi logo dizendo:
- Sabe o que fiz para a sobremesa? Mousse de Chocolate com castanhas. Hummm. Aquela que você adora. Em vão, Bá tentava animar a jovem Anita que novamente esboçou um sorriso triste...
- Sua Mousse é imperdível! Vai adoçar a minha noite!
A incansável guardiã retirou-se para buscar a sobremesa e Anita olhou a sua volta. A bela sala onde estava, os quadros pendurados na parede, cada objeto de arte escolhido por seu pais, trazidos de diferentes lugares. Não lhe faltava nada. Do que estava se queixando?Tinha tudo, materialmente, falando que necessitava. Estudara nos melhores colégios, tinha o armário cheio de roupas, sapatos, bolsas e mimos que seus pais sempre lhe traziam. Tinha Bá que nunca lhe deixou que faltasse nada... Sabia que seus pais eram preocupados com sua educação, esmeravam-se para que nada lhe faltasse. Ah! Sim, seus pais! Mais uma viagem. Por que viajavam tanto? Por que não a levavam? Porque tinha que ficar sem eles? As perguntas fixamente adentravam em sua mente. Por que a presença de seus pais lhe fazia tanta falta, lhe causava tanta dor. Nunca havia conversado com eles sobre seus sentimentos. Nunca havia lhes dito o quanto os amava, o quanto eram importantes para ela, o quanto ela desejava a presença deles, o carinho, a conversa, o colo... Não ligava para o conforto material, sabia que era importante, mas trocaria tudo pelo tempo com seus pais. Um mal estar repentino inundou-a por inteiro, não sabia explicar o motivo.
- Olhe querida, esta mousse não está com uma cara maravilhosa? Está do jeito que você gosta. Dizia a mulher que chegava da cozinha com a sobremesa nas mãos.
Anita olha e novamente sorri... Confirma com os olhos as palavras da gentil senhora.
Neste instante, a campanhia da casa toca.. A jovem em disparada corre para atender, ávida de que fosse seus pais que a ouviram em pensamento...
- Boa Noite! Por gentileza gostaria de falar com a Srtª Anita Toerk. Disse o homem alto, pele morena, nem gordo nem magro, formalmente vestido.
- Sou eu mesma. Em que posso ajudá-lo?
- Srtª Anita, meu nome é João Medeiros. Trabalho na Polícia Federal, (já mostrando em mãos o documento). A Srtª é filha do SR, Marco Toerk e da Sra. Miriam Toerk, correto?
- Sim, sou eu... Respondeu Anita com a voz embargada e um enorme calafrio que lhe percorreu todo o corpo.
- Srtª ... houve um acidente com o carro de seus pais... O mesmo foi atingido por uma caminhão desgovernado. Fizemos todo o possível... Não houve tempo para que o homem terminasse suas palavras...
Anita atordoada, não conseguia concatenar as idéias, seu corpo parecia tremer inteiro, sua pele tornou-se esbranquiçada, seu olho arregalado e intensamente marejado de lágrimas que lhe escorriam pela face, levou as mãos aos olhos tentando contê-las, mas de nada adiantou. Bá, parada na porta, inerte olhava para a cena, sem saber o que o que fazer... A menina foi descendo até encontrar o chão, as lágrimas insistiam em rolar por sua face... Faltavam poucos dias para seu aniversário, estava ansiosa pela chegada de seus pais. Havia decidido conversar com eles sobre seus sentimentos, queria estar mais perto deles... Sua cabeça doía, não conseguia pensar. A mulher, sempre carinhosa tentou confortá-la com um abraço... Anita deu um suspiro profundo e abraçada a Bá, apenas disse : ELES SE FORAM. NÃO HÁ MAIS TEMPO...

Submited by

terça-feira, janeiro 12, 2010 - 21:01

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FlaviaAssaife

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Comentários

imagem de IsabelPinto

Re: Não Há Tempo

Olá Flavia,
O tempo esvai-se por entre os dedos como a areia da praia e por vezes só damos valor às pessoas, que sentimos como nossas, quando elas partem e a dor é demais forte quando a partida se fixa no tempo sem uma despedida.

Gostei da tua prosa:)

Bjs
I

imagem de cecilia

Re: Não Há Tempo

Flavia,

Por entre a história contada passeei como se fosse um personagem, adorei ler-te em tom diferente.

Bjs
Cecilia Iacona

imagem de FlaviaAssaife

Re: Não Há Tempo

Cecília,

Eu agradeço por ler, comentar e gostar.

Bj

imagem de meninadorio

Re: Não Há Tempo

Flávia, vou me repetir, mas é de uma profundidade e realismo imensos. Estamos tão envolvidos em nós mesmos e quando nos damos conta, não há mais tempo pra dizer ou fazer o que deviamos ter feito.

Beijinhos

imagem de FlaviaAssaife

Re: Não Há Tempo

Olá Verônica,

Que alegria receber tua visita e leitura!

Muito obrigada pelo comentário!

Bj

imagem de Librisscriptaest

Re: Não Há Tempo

Resolvi, ler ja, porque sei q os nossos primeiros "Bébés" nos causam sempre alguma inquietação e uma certa insegurança. O conto esta muito bem construido, desperta sentimentos diversos e intensos, é impossivel ficar alheio ao universo das tuas personagens, foram construídas com carinho e atenção e isso passa para o leitor! Adorei a bá, quase me consegui sentar no colinho bonacheirão dela, imaginei a doçura e a tristeza da Anita, tão jovem, mas com uma densidade q transparece e contagia o leitor, q logo se apaixona por ela!
Em suma adorei minha querida Flavia, jamais diria q é o teu primeiro conto, mas uma vez q é so te posso dizer:
Por favor escreve mais, tens um talento inato!!
Parabéns!!
Beijinho grande em ti
Inês

imagem de FlaviaAssaife

Re: Não Há Tempo

Querida Inês,

Tuas palavras me enchem de alegria, força e coragem. És muito bondosa e agradeço-te imensamente.

Continuarei sim... Aguarde...

Bjs

imagem de lau_almeida

Re: Não Há Tempo

adorei! concordo em pleno com a danyfilipa, por vezes os pais dao tudo o que os filhos desejam, mas falta sempre o mais importante: os bens emocionais! quem somos nós sem amor e carinbho, ou talvez sem alguma educaçao?
Parabens!
beijinho*
lau_almeida

imagem de FlaviaAssaife

Re: Não Há Tempo

Olá lau_almeida,

Sim vocês tem absoluta razão e esta era de fato a intenção do conto.

Obrigada por-ler-me e incnetivar a seguir em frente.

Bjs

imagem de jopeman

Re: Não Há Tempo

gostei bastante do conto, sobretudo da parte final onde o drama se enleva. Também apreciei mto o início pelas imagens que criaste.

bjs

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