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...a querer atingir o céu

 

Viajante num universo complexo, tal a complexidade de que sou composta, é saber que vou, sem no entanto sair do mesmo lugar onde finco os pés e não levanto as mãos por tão pesadas se encontrarem em mundos perdidos, onde descanso as pálpebras e nego as semelhanças com um mundo que me espera. Preciso reaprender a caminhar com um pé à frente e outro atrás e as mãos em concha para saber receber e saber doar, sem imposições de qualquer espécie. Este, é um método infalível para receber o verdadeiro conhecimento, sem no entanto cair ao tentar contrabalançar o corpo num ritmo desacertado onde todos os olhos se movimentam. Preciso sair deste estado e entrar num mais de acordo com o meu estado de espírito neste dia de chuva tal um nervoso miudinho a salpicar todas as palavras mal-ditas que me fazem andar por lugares desconhecidos, e se arrogam de formas e normas a quererem endireitar o mundo. Há um meio de as contradizer! Fazer de contraponto por entre os espaços em branco de todas as palavras ditas e não ditas e ficar em pé a fazer de ponto de exclamação.

Interrogam-me: onde se esconderam os pontos e vírgulas das tuas palavras, que ousam desfrutar de uma realidade controversa imposta por um pensamento abstracto?

Respondo: na minha fé em conseguir manter-me de pé e ficar a ver que há espaços em branco em todos os espaços ocupados por figuras com um nível de abstraccionismo elevado ao cubo. Há cubículos que não se prestam a nada, já outros recebem todos os níveis de abstracção. Delinquentes modos e feitios a querer formar palavras.

E eu por nunca me saber encontrar no meio delas, julgo-me então como quem se acaba num conjunto infinito de sons, que trazem carimbos de outras eras em que me sucedia em prol de uma humanização mais terrena, em busca de algo que me endireitasse as costas e me conduzisse ao ponto fulcral onde existe a verdade absoluta, que faz de todas as palavras eleitas a única certeza de ser eu. Caí em tempos mas levantei-me e fui até ao mar infindável, a querer atingir o céu. Resgatadas todas as cores de um arco íris em formação, levantei-me e segui caminho por entre a rectidão que me faz ainda ser um não, quando o sim se abstém de caminhar sozinho. Certezas de que a viagem que me aguarda é uma só, e os caminhos são vários em variantes conciliadoras de como reaprender a caminhar sem cair, e aprender a cair sem poder descansar o corpo, por tão pesado ser.

 

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quarta-feira, maio 18, 2011 - 16:36

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