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UM AMOR PRA VIDA INTEIRA

Ola! Meu nome é Ricardo, tenho 65 anos aqui vou manuscrever-lhes a historia de minha vida amorosa, e como um gesto, um instante pode mudar absolutamente tudo na historia de uma pessoa.
Andréia é, sempre foi e sempre será o grande amor de minha vida. Nós nos conhecemos ainda criança, minha família era dona de um Asilo no centro de uma pequena cidade no interior paulista, a avó de Andréia dona Ofélia lá residia. Todo fim de semana Andréia e a sua mãe iam lá visitar dona Ofélia, eu e Andréia devíamos ter uns 5 ou 6 anos na época sempre brincávamos juntos pois éramos as únicas crianças lá nos fim de semana.
Os anos assim se passaram, praticamente toda as semanas via e conversava com Andréia, mas sempre como amigos quando nós fizemos 14 anos dona Ofélia veio a falecer, acabamos eu e a Drica por nos afastarmos um pouco, lembro bem daquele dia a Andréia ao lado do caixão aos prantos e eu lá imóvel sem saber o que fazer, sem ter como a consolar, a abracei a acolhi em meus braços por algum motivo naquele momento que realmente comecei a vê-la como mulher e não como amiga, nos vimos pouco naquele ano, no ano seguinte nem sabia onde Andréia estava, sempre nela pensava mas sem muitas esperanças de reencontra-la, mas durante o desfile do 7 de setembro quando minha escola passou por a do Antonio Augusto lá estava ela, havia mudado estava realmente linda com aquela saia xadrez de colegial, com uma blusinha apertada da escola, tentei não tirar o olho dela naquela tarde, após meu desfile fiquei por esperar a escola dela passar, a avistei e fui ate a praça onde se dava o desfecho do desfile encontrei a dona Carmem mãe de Andréia lá esperando-a, conversamos um pouco ate que Andréia chega-se mas pra minha surpresa Andréia vinha abraçada aos beijos com um rapaz, senti uma dor muito forte no peito naquele momento, fiquei pasmo, diria embasbacado os complementei e dei um jeito de sair dali o mais rápido que pude.
Nos dois anos que se passaram, tentei não pensar na Andréia após a minha formatura no Ensino Médio fui trabalhar em uma Farmácia na esquina da Praça do centro, Andréia a partir do meio do ano começou a passar lá na frente todo dia indo e vindo de seu trabalho. Sempre que eu estava próximo a porta ela me complementava, mas nunca conversávamos ela começava a trabalhar mais tarde que eu e saia mais cedo, como não sabia onde ela trabalhava ou morava não tinha oportunidade de com ela conversar, isto durou uns 3 anos, ate que uma noite fui numa gincana na prefeitura minha prima Fernanda, iria disputar a Rainha da gincana e lá estava a Andréia, a vi logo que adentrei ao clube, fui em sua direção nos complementamos começamos a conversar mas logo depois chegou sei noivo Paulo Henrique eu um tanto sem jeito com a situação me afastei deles. Com isso já haviam passado 6 anos desde que eu me apaixonara pela Drica e nunca tive a chance de poder ao menos dizer o quanto eu dela gostava, sempre havia alguém ou alguma coisa entre nós quando dela perto eu consegui chegar, o que mais me doía é que podia ver nos olhos dela que ela também gostava de mim. Mas são coisas da vida nem sempre se pode ser ou fazer o que se quer me conformei.
Uns dois anos depois me chegou pelo correio o convite para o casamento de Andréia e Paulo, não sei dizer ao certo o que sentira na época, um misto de tristeza e pesar por estar vendo a mulher que eu amava casando-se com outro.
Naquela semana houve um acontecimento que mudou tudo completamente, meu avô Henrique falecera, ela me deixou seu diário, neste havia uma parte destinada a mim, com conselhos de meu avô.
No diário estava escrito:
“Meu nome é Henrique Donni, venho aqui manuscrever-lhe a dor e o pesar de minha vida, espero que minhas memórias sirvam de exemplo a aproveitardes as oportunidades que vieres a da vida a ter meu neto.
Como sabes tive uma vida boemia nunca fui lá muito bom exemplo a ninguém, larguei a escola ainda muito novo, podia ter ficado no quartel preferi uma vida mais liberta fazendo um bico aqui outro lá você sabe que nunca fui casado, que sei pai nascera de uma aventura da minha mocidade, mas o que me tornei e o que fiz da minha vida foi culpa minha, não reclamo fiz minhas escolhas mas o que queria deixar a você é o pouco de experiência que os anos me deram.
Uma coisa você não sabe de mim meu neto, eu amei uma mulher por quase toda minha existência, a conheci na escola éramos muitos jovens, começamos a namorar tínhamos uns 14 anos, foi mágico realmente me apaixonei por ela, ela era muito mais que um dia sonhara pra mim, mas meus pais descobriram, seu bisavô tinha um gênio difícil ela era de origem muito pobre me pressionaram, ou desistia do namoro ou era deserdado e jogado na rua, era muito jovem e inexperiente para poder me sustentar e sustentar uma família na época então cedi, dela me afastei, os anos passaram envelheci fui trabalhar no hospital, com 18 anos fui morar sozinho num cortiço na zona sul, sabia sempre soube donde ela estava a morar mas sei lá, nunca tive coragem de ir atrás dela novamente depois daquele desfecho trágico de nossa separação na nossa adolescência, 4 anos depois soube que ela iria se casar, entrei em pânico lembro bem que no dia do casamento ainda pensei em ir lá na casa dela como naqueles filmes românticos do século passado, dizer que a amava a acolher em meus braços e com um beijo tudo se resolveria, mas isto é vida real não filme, como meu pai dizia sonhos foram feitos para serem sonhados, pesadelos foram feitos para serem vividos.
Não fiz nada, fui a celebração do casamento dos dois, sentei bem no fundo da Catedral, chorei muito aquela noite, décadas se passaram há poucos anos novamente a vi, nós já com nossos cinqüenta e poucos anos, ela estava no quiosque do centro, me cheguei, conversamos muito por muitas horas, ela me contou de sua vida que havia se mudado pra capital, que tivera 3 filhos, que havia vindo aqui para acertar aos papeis da pensão pois seu marido havia falecido vitima de um câncer as poucos dias.
Dei-lhe meus pêsames, mas no fundo após tantos anos ali tinha visto a chance de um novo recomeço nos dias que se seguiram não desgrudei dela me senti novamente um adolescente, respeitei um certo tempo a fazer minha investida pois ela era recém viúva, mas dois meses depois um dos filhos dela queria que ela fosse a com ele morar na capital. Vi que não mais teria tempo se quisesse ter uma chance teria de ser agora, era um sábado me arrumei como há muitos anos não o fazia, coloquei meu melhor terno, comprei flores a levei em um baile na Estudantina e me declarei, disse que a amava que ela era e sempre tinha sido o grande amor de minha vida e perguntei-lhe se ela gostaria de passar o resto de nossas juntos, que eu sabia que não era mais jovem, que não tinha muito a oferece-la mas que faria o possível pra ser o melhor pra ela pois a única coisa que podia realmente dar-lhe é o meu amor em condicional.
Ela me olhou nos olhos, segurou a minha mão, uma lágrima escorreu de seu olhar. Então me disse:
-Henrique você foi o único homem que amei na vida, sonhei com este dia por décadas mas agora já é tarde de mais para nós dois, já passou nosso tempo, eu tenho meus filhos, a minha vida não estou pronta pra recomeçar tudo de novo.
Argumentei, mas foi inútil ela estava realmente decidida, tive que me conformar mesmo lúgubre aceitei a sentença, e vivi só o resto de meus dias.
Por isso meu neto lhe digo aproveite as oportunidades que a vida lhe der pois só se vive uma vez, eu tive chance de ser feliz e por medo e comodismo não busquei encontrar a felicidade, nunca é tarde pra recomeçar e para correr atrás de um sonho mas quanto mais o tempo passa mais difícil se torna. Sei que nunca fui um avo presente, sei que nunca conversamos direito mas queria ao menos deixar-lhe este ensinamento. Espero que lhe seja útil em sua vida, com amor de seu avô Henrique.”
Chorei após ler o diário de meu de meu avô, e aceitei seu conselho naquela noite fui ate a casa de Andréia, bati a porta ela sorridente me atendeu, um tanto surpresa perguntou-me do que se tratava a visita aquela hora.
Respirei fundo e declarei meu amor por ela, infelizmente a reação dela não foi a que eu esperava, na verdade ela não teve reação nenhuma ficou ali parada imóvel a minha frente tentei beijar-lhe ela não reagiu mas não me correspondeu foi tão fria lembro-me bem, sai um tanto desolado naquela noite, mas não desisti nos dias que se seguiram mandei-lhe flores, declamações de amor, cartas, por meses fui implacável em busca de tê-la, ate que enfim consegui a conquistar-lhe depois de muito penar.
Tivemos alguns bons anos juntos mas ela passou em um concurso, foi a muito longe morar, eu tinha o Asilo a administrar, nos víamos pouco começamos a brigar, um dia ela disse estar por outro apaixonada, foi embora e por décadas não mais a vi.
Na primavera do ano passado a reencontrei, estávamos num baile num sábado à noite, fiquei muito feliz em revê-la dançamos e conversamos durante horas e horas, ela estava viúva e eu nunca mais tinha me juntando com alguém, enfim éramos livres, e como nada mais nos empedia novamente nos entendemos, já na 3º idade, mas agora já maduros, já sabedores exatamente do que queríamos. A amo tanto quanto amava em minha mocidade ela não é mais aquela menina de longos cabelos rubros, sempre de vestido e com um rosto angelical, já mostra as marcas do tempo com seu cabelo já branco, com as rugas peculiares da idade mas na alma é a mesma menina que me apaixonei a mais de 50 anos. Estamos juntos novamente fazem 2 anos espero que pelo resto de nossas vidas.
Com este texto quero dizer-lhes que amar vale a pena, que nunca é tarde para se amar ou para recomeçar, que sempre temos escolha se quisermos dar um novo rumo as nossas vidas, mas as oportunidades nem sempre batem duas vezes a nossa porta.
Por isso aproveite cada momento se amar é ser bobo seja bobo, se amar requer sacrifícios sair de seu comodismo ter medo, bem sei que sim, mas o que aprendi em minha jornada foi que dói bem mais não tentar que não consegui, por isso o que peço é que tentem se dêem a chance de serem felizes pois só se vive uma vês, e a vida passa rápido de mais para termos tempo de nos arrependermos, arrependa-se apenas do que não fez, porque errar faz parte de ser humano, tente, erre, acerte mas sempre seja você mesmo. E se o amor bater em sua porta corra atrás, a oportunidades que são únicas em nossas vida, e em geral só damos valor quando não mais há temos.

Felix Ribas

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sábado, março 6, 2010 - 16:22

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