O Soco

Enquanto esperava o padre, no seu leito de morte,
Josefa, recordou toda a sua vida humilde e modesta,
Até, aquele dado momento, que seria ou de azar, ou de sorte,
Pois, não sabia se no final daquele dia, haveria um funeral ou uma festa.

Recordava agora, o seu marido, com quem tivera uma única filha,
Marido esse, levado pela sachola de um vizinho, por causa de um pedaço de campo,
Vizinho esse que morrera, dias mais tarde, picado por uma abelha,
E, ela com uma filha nos braços, sem nenhuma companhia, nem sequer de um pirilampo.

Foi levando a vida devagar,
Ora na lida da lavoura,
Ora, na lida do lar,
Ou até mesmo, no capado da filha, na lida da vassoura.

O raio da miúda era respondona e desobediente,
E tinha lá a mania das finuras e das grandezas,
Dizia que aquele não era o nome que escolhera, pois queria um mais irreverente,
De vez, em quando dava-lhe uma boas sovas, mas a miúda aguentava…era das tesas.

Até que um dia, a cachopa chegara a casa a chorar,
E a dizer que tinha sido enganada, por um marmanjão,
Foi-me logo, dele emprenhar,
Um homem sem escrúpulos, patife, intrujão.

Não aguentou a dor e fugiu ela também dali para fora,
Abandonou a sua casa, a sua mãe, as suas origens e a sua aldeia,
Mas, deixou ficar para trás, a sua própria caixa de Pandora,
Deixou ficar, o que tornaria a sua casa, de amor cheia.

 

Os seus netos criou, como se dela fossem os filhos, que sempre sonhara,
Ao menino, chamou Jacinto, e à menina Marta, tal qual os pastorinhos,
Não queria mais nada na vida, aqueles tesouros eram tudo o que ela ansiara,
Só pensava na felicidade, que aquela desgraça tinha dado…só tinha olhos para os meninos.

E durante anos, teve olhos, boca, vontade,
Tudo em prol dos meninos, que cresceram naquela casa, onde a mãe tinha gatinhado,
Tudo em função deles, mas nunca lhes contara, toda a verdade,
Apenas, que a mãe fora para longe trabalhar e não que os tinha abandonado.

Viu casar a sua princesa, embora com um jumento,
Para longe dela, tinham ido viver…já não assistiriam aquele tormento.
Viu casar seu neto querido, um menino de ouro, com Maria, que havia sido uma segunda neta,
Até aquele dia, bem junto da sua mesinha de cabeceira, estava ali…quieta.

Fechou os olhos…estava muito cansada,
O seu estado avançado da doença, já era martirizante,
Olhou para Maria, uma última vez…esgotada,
E pediu-lhe para tentar ser feliz…não obstante.

 

 

 

 

 

 

 

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Jueves, Diciembre 1, 2011 - 20:02

Poesia :

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