O Incesto

Avistara alguém num pranto acesso e logo se abeirou,
Estendeu a sua mão em seu auxilio, sem saber a quem estava a prestar socorro,
Ela atendeu, deu-lhe a sua mão molhada e trémula, e para ele olhou,

Parecia milagre, aquele encontro, naquele sítio, naquele bairro.

Nunca a havia visto por ali, aliás desde aquela noite no cabaré da cidade,
Nunca mais a tornara a ver, e até com bastante pena,
Pois, lembra-se sempre daquela imagem, cheia de sensualidade,
Quando queria fugir a coisas banais da vida, como a chatice da novena.

Nem queria acreditar, naquela miragem,
Há tanto tempo pensava naquelas pernas e naquele manear da sua fina cintura,
E agora, tinha a encontrado, logo ali, assim sem ter de fazer, à cidade, uma viagem,
O quadro era perfeito, o seu rosto, a sua imagem, mesmo chorosa, parecia uma pintura.

Ela perguntou-lhe se acreditava no amor,
Ele respondeu que sim, acenando com a cabeça,
Já nem tinha palavras, a sua presença, tolhia-lhe os pensamentos, as suas pernas em tremor,
Que coisa era esta, que mexia até às entranhas com ele, que mulher era esta, levada da breca.

Teve de desapertar um pouco a camisa, pois já seu corpo, em bica transpirava,
Não estava habituado a estar tão perto de alguém tão belo,
E ficava tão desalinhado com ela, que até tonto, ficava,
Pois, tudo lhe agradava nela, eram os lábios, o sorriso, o cabelo.

Ela falava, mas ele nem escutava,
Parecia hipnotizado com todo aquele encanto e magia no ar,
Que só acordou, e de repente, quando deu conta, que ela já o beijava,
E foi assim, que alguém mais novo, por alguém mais velho se foi apaixonar.

Ninguém, nem eles podiam supor, que aquilo era errado,
Que aquilo que sentiam, um pelo outro, não era correcto,
Aquilo que suas almas, haviam feito, era um atentado,
E que tudo aquilo teria um castigo putrefacto.

Restava a Deus, proteger a sua ignorância,
Restava aos Santos, tentarem tudo por tudo, para as suas vidas separarem,
O problema foi que naquela tarde, pareciam que os dois, haviam voltado à sua infância,
E juras, fizeram um ao outro, de que nada os faria, de ideias mudarem.

 

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Domingo, Diciembre 4, 2011 - 23:45

Poesia :

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