NINGUÉM TORNA-SE PERIGOSO

Culpa que pede desculpa.

Ninguém.

Atleta invisível que no tombo cai.

Montanha que se desmonta até ao céu.

Mar que se afoga no seu inunda.

Remoinho de poeiras a remoer o chão do ar,
como pastilha-elástica na boca do vento.

Meia-hora que desce à meia-hora que sobe,
até à hora certa.

Que ora passar por nós a fora,
dentro de uma hora incerta.

Chegar e partir são ir do mesmo saco.

Amparo do mesmo parto.

Nuvem do mesmo sítio onde está Ninguém
a não ser nada.

Compasso de um muro escuro.

Onde já não há dentes Ninguém morde.

Ninguém torna-se Perigoso.

Diabo.

Dentista desempregado.

Onde os dias são fechados.

As gentes deportadas a Marte.

O enfarte da esfera azul será declarado.

Os verdes serão acinzentados.

E Ninguém será mortal.

Ninguém terá culpa.

 

 

 

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Jueves, Marzo 15, 2012 - 19:47

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Henrique

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