E Agora

Na rude ciranda sem cor, em que rodam as ásperas meninas,
sente-se o peso da miséria consumada e da dor acostumada.
São elas os próximos cordeiros à espera do cutelo
que as sacrificará ao Baal Capitalista
e aos seus burgueses capachos da Av. Paulista.

Giraram sonhos vãos e quimeras inúteis,
pois eis que nessa terra de coronéis,
de sacripantas de altares e madames de bordéis,
só restou outro sonho acabado
e mais um grito sufocado.

"E agora José?
E você que faz verso, que ama, protesta?
E agora?"

Venceu a chantagem, pois dizem que não é hora
de se mostrar coragem. Que tudo foi só uma bobagem.
Que os ventos de Julho apagaram toda chama
e que é imprudente ser o dono da voz que reclama.

Que nosso destino está traçado, que gostamos da tirania.
Que "Deus salve o Rei", a Direita Capitalista e a sua covardia.
Pois bem se sabe o quanto o sagrado ópio nos vicia.

Que celebremos o "4 de Julho" do Irmão do Norte,
mas não o da Bastilha, pois lá foi apenas uma desobediência
dos vândalos terroristas que fornicam em pilha.

Que oremos e que se lustrem as botas dos Ditadores,
pois serão eles os togados São Salvadores.
Que nos resignemos ao chicote,
já que aqui habita Sancho, mas não Quixote.

Que dancemos as fascistas polcas ordenadas
ao som dos clarins de todas as Alvoradas.
E cantemos, ufanos, o nosso próprio dano.
Liberdade, só por mero engano.

Dedicado ao amigo querido BATS.

Homenagem pouca ao Poeta Maior, Carlos Drummond de Andrade.
Foto captada na WEB, propositalmente desfocada em respeito ao próprio e à sua família, do jornalista Wladimir Herzog, assassinado pela Ditadura Brasileira.

Produção de TAÍS ALBUQUERQUE, desde o Rio de Janeiro, no inverno de 2013

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Sábado, Julio 6, 2013 - 16:04

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