Poeta de Moçambique

Tento ler o poeta de Moçambique,
mas a moça não me permite
e sem que lhe peça fala de seu chilique,
do último trambique,
da cachaça do novo alambique
e vocifera para que eu não me arrisque
ir além da cerca de pau a pique.

E que como está, que tudo fique.
Que nada se modifique,
pois senão virão os guerreiros,
pencas de arqueiros,
de jovens baderneiros
e tudo mais que cause desgosto,
ainda que pressuposto.

Principalmente nesse mês de Agosto,
em que a água é inútil para limpar o rosto.
Estou marcado, estou maculado,
sou um safado que insiste em viver errado.
Um velho celerado,
canceroso declarado,
prestes a ser enterrado.

Noites trágicas,
de vazantes hemorrágicas
e de mulheres verborrágicas.

Mas e se fossem mágicas?
Conversaria com o poeta de Moçambique
e recordaríamos nossas trajetórias,
as nossas histórias
e o que mais chegasse em nossas memórias.

E entao, nem trágica nem mágica.
Seria só a noite de lembrar
cada qual do seu lugar.
Cada um, do seu lar.

Em homenagem ao Poeta Mpiosso-ye-Kongo

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Miércoles, Agosto 5, 2009 - 00:00

Poesia :

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fabiovillela

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Comentarios

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Re: Poeta de Moçambique

Gostei do teu poema. Que entre nós sempre fique, o poeta de Moçambique.
Abraço

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Re: Poeta de Moçambique

fabiovillela!
Gostei, da homenagem ao Poeta de Moçambique, mas te cuide, para que dita moça não te bique!
MarneDulinski

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