O Preterido

Da carne suja ao verso reticente,
Eu retiro a apóstrofe deficiente,
Do meu medo subordinado às memórias,
Pois sangro o presente costurando glórias,

Na alma, insossa, que já não canta,
No canto, insano, que já não espanta,
O sussurro de tantas histórias mortas,
Afogado neste punhado de repetições tortas.

E, das vértebras do cadáver calado,
Abrem-se vúlvas para meu Passado,
Certamente o terror é mais que corporificado

Aqui. Pois, possui nomenclatura alva,
Da palavra que transa calejada e calva,
Eu, por fim, canibalizo meu credo. Sem ressalva.

"Morreste! E era só junho para tua alma!
Ah! não devias perecer tão linda!
Tu não podias perecer ainda,
Morrendo assim tão calma!"

Edgar Allan Poe. Hino Triunfal. Estrofe IX

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Martes, Diciembre 29, 2009 - 18:12

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malentacchi

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Re: O Preterido

LINDO POEMA!
DESEJOS MEUS DE UM FELIZ ANO NOVO, COM MUITA, ALEGRIA, AMOR E MUITA PAZ!
Marne

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Re: O Preterido

Parabéns pelo belo poema.

Gostei muito.

Um abraço,
REF

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Re: O Preterido

Somos por vezes cadáveres andantes, pensantes, mas simplificamos-nos em casca.

Cumprimentos, Anita.

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