A volta do vazio
As vezes me pergunto sobre a necessidade de chorar
Para enfim, voltar-me a isso
Esses versos de dor, essa angústia
Essa vida do "viva a vida e viva bem"
Dizem: - Olha, rapaz ! A vida foge de ti e não volta
Dizem e muito e, nem precisam exatamente dizer o que digo agora
Pois eu noto. Eu fui ao lado mais longínquo por esse instante?
Menciono este dia e horário, estas estrofes que, sinceramente nunca sei onde dão
Quando paro alguns segundos antes de recomeçar este suicídio
Lembro-me de quando eu estive na mais perfeita forma que me coube
Eu fazia um tudo e nem havia importância com qualquer nada
Fazia, lembro bem, as peripércias deste sujeito parecerem únicas
Embora a intenção para tal desfecho faltaram ao tino
Eu era menino - recordo-me bem das brincadeiras com aviões de papel
E das corridas na calçada em frente de casa.
Parece, sei lá quem, que falo de um modo saudosista mas,
Tente entender: agora é o vazio que me distrai
A vida por um instante foge, passa pro lado de fora
É a criança que brinca e convida
Quer nossa amizade e senta-se conosco no banco feito pra um descanso por vez
As vezes há a impressão de que a vida parte e deixa-nos a mercê de quem ignoramos ser
São essas horas que gasto com poesia
A vida passa por meus olhos não muito atentos
Passa... Escorrega ao outro lado e demora a vir
Sempre que a vida chega, o relógio ameaça parar
E o milagre de viver, incógnito, sai pelas ruas e volta tácito
Volta e não cumprimenta, volta e fica... e logo retorna ao longe
Deixa o vazio no lugar - lugarejo isolado do mundo
É tão misterioso que engana a razão alheia
Enganas a ti quando achas que pode iludir
Não o podes! Tu és este que diz que sofre por muito
E que não podes suportar outro peso
Porém, incalculado, és a própria balança do teu corpo
O vazio volta e deixa a lembrança daquilo que é
Vazio, morto, leve e esquecido
Quando chega, entope teus olhos de sensações mesquinhas
Destas que falo: incontáveis poesias
Tu sorris e demonstra viver
E chora e diz que deseja parar de viver
Olha rapaz! A vida passa de ti e não volta
Fico triste contigo, dono do meu corpo, quando te vejo aí
Parado, sentado, a espera da chegada da vida
Vivendo vazios e soltando-os em idéias bem construídas
Apagando da tua mente que a vida é a construção de um ideal
Tu foste menino - terá esquecido?
Lembra-te daquele herói que tu foste!
Lembra-te daqueles sonhos que atrasavam teu sono!
Lembra-te das garotas com quem viveste nos teus paraísos de infância!
Lembra-te e torne a lembrar de quem tu realmente és!
Tu és bonito, menino!
A fotografia de uma boa amizade guarda o teu rosto
Tu és menino! Não te esqueças de sorrir o teu sorriso mais puro para a vida que tens
Neste horário que vi tua vida partindo, posso dizer-te que sou vazio
Sim! Sou esse que tu pensas ser: TEU VAZIO!
Não te esqueças de carregar-me contigo como prêmio de quem tu és
Agora, levantemos deste banco!
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Comentarios
Re: A volta do vazio
Olá caro poeta
Por mais que saibamos que estamos vivos
tem horas em que a vida nos escapa por
entre os dedos caindo neste imenso vazio
vazio que nos transporta no tempo...
Excelente poema
Beijinhos no coração
Re: A volta do vazio
"...
Neste horário que vi tua vida partindo, posso dizer-te que sou vazio
Sim! Sou esse que tu pensas ser: TEU VAZIO!
Não te esqueças de carregar-me contigo como prêmio de quem tu és
Agora, levantemos deste banco!"
Como gostei de te ler!
Abraço
Re: A volta do vazio
um poema do vazio mas cheio de tempo, o passado, o presente e o futuro em voltas poéticas!!!
:-)