Não quero endireitar o mundo

Tenho tudo o que havia antes de adormecer. Tenho até sono
Que importa se a terra gira?
Já ontem o fazia…
Eu seguia o meu caminho
E em pé, como deitado, não caía

Não quero endireitar o mundo
Nem sou necessário
Sem missão, apenas sonho

O vento forte levanta tudo.
De uma só vez
Vão mesas e cadeiras. Voam
Observo as copas
E sou a felicidade das aves
Sou a alegria da aranha
Que levitando vai
Assim, mas sem teia, eu.

Daqui vejo um senhor
(certamente avô, ou melhor,
Com óculos e cabelo de avô)
O senhor, dizia
Faz as palavras cruzadas
E lê as novas do dia.
Recusa-se a crer que voou
O avô.

Sobe, senhor, sonha, avô
(Antes um realista, que a solidão
Aqui, onde estou)

O cão, incrédulo, ladra
O cinzeiro recebe a cinza
E eu…
A verdade?
Sim, que sonho por aí…
Que voo em busca da verdade
Sim, que tenho a força de endireitar o mundo
Mas a realidade é que
Não quero

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Lunes, Mayo 3, 2010 - 16:36

Poesia :

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Conchinha

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Comentarios

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Re: Não quero endireitar o mundo

Será que o sonho de endireitar o mundo, não passa por ser uma realidade distante e difusa, e que não podemos e nem devemos meter-nos com as forças que regem o Universo?

Ou será que na nossa realidade não cabe o mundo MUNDO, mas sim só o nosso mundo...

Gostei de te ler

Beijos

Matilde D'ônix

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Re: Não quero endireitar o mundop/Ônix

Concordo mais com a 1ª.
Mudar o mundo pode começar por ser uma mudança interior descomprometida. Uma boa parte dos hábitos do Homem são adquiridos por imitação.

Admitir que o que não é real faz parte da realidade;
Sonhar;
Procurar a felicidade interior para que partilhemos um EU melhor;
São ideias que me ocorreram.
Beijo

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