Na ilha por vezes habitada (José Saramago)

Na ilha, por vezes habitada,
do que somos,
há noites, manhãs e madrugadas
em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.

O mundo aparece explicado definitivamente
e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra
e apertamo-la nas mãos. Com doçura.

Aí se contém toda a verdade suportável:
o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.

Libertemos devagar a terra
onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago, poeta e escritor luso, Prêmio Nobel de Literatura de 1998, que nos deixou recentemente (18/6/10).

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Miércoles, Septiembre 1, 2010 - 12:02

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AjAraujo

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Libertemos devagar a

Libertemos devagar a terra
onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

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Re: Na ilha por vezes habitada (José Saramago)

Aj quantas lindas homenagens tem feito a Saramargo , esta está maravilhosa e gostosa de se ler sobre terra ,áqgua ,pedra, raiz ,fruto da mesma.
Parabéns !!!
Abraços
Susan

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