Nada
Da escala que se imiscui no passar do tempo, sobrou um ponto vazio, um ponto sem nada. Encontrava-me entre os outros, perdido, tão deslocado do meu tempo que até de mim estranhava, pois aquele não era o tempo do vazio, não era o tempo do nada, nem o tempo de coisa nenhuma. Era o tempo do Tudo, onde não pertencia, que o meu tempo era outro, um tempo ancestral e um tempo final, antes do nascer e depois do morrer.
Então, quem me colocara ali no meio, por engano? Eu, o centro do Tudo, eu, que era nada e coisa nenhuma. Fora engano, sem dúvida, que ninguém muda o tempo, nem mesmo o mais poderoso deus é capaz de inverter o curso desse tão todo-poderoso rio. Que as correntes correm irrevogáveis e sempre do principio para o fim, de mim, para mim, mas não por mim. Eu presencio, mas não estou presente, eu crio, mas não pertenço à Criação, que ninguém me criou, sempre existi, eu, o nada do principio e do fim, devorador de mundos e criador de universos. O omnipotente que não pertence aqui.
Então, quem se atreveu a baralhar o que é ditado, quem me pôs entre o manipulado que escrevo e pinto? Um ponto de vazio entre a Criação, um ponto de consciência nula, a branco, na tela negra e rubra do mundo. Um ponto que dilatou o tempo e o rasurou numa quebra indistinta de relativa.
O Nada implantou-se no Tudo, de braços estendidos.
"Que do Nada nasce o Tudo,
No caminho negro que descuro,
E se consome voraz até ao fim,
Canibal de si.
Até o nada ressurgir, puro,
No confim oculto do futuro
(Que reservei para mim)."
Submited by
Prosas :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 715 reads
Add comment
other contents of Leto
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Prosas/Contos | A Grande Pequena História | 2 | 724 | 05/21/2009 - 22:10 | Portuguese | |
| Poesia/General | Mãos do Passado | 4 | 633 | 05/17/2009 - 19:41 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Suspiro | 6 | 739 | 05/13/2009 - 17:17 | Portuguese | |
| Poesia/Fantasía | Desenhos que não quero Desenhar | 5 | 610 | 05/10/2009 - 08:48 | Portuguese | |
| Poesia/Fantasía | Escuta a tua Sombra | 5 | 727 | 05/06/2009 - 22:26 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Defunto El-Rei | 3 | 872 | 05/06/2009 - 15:24 | Portuguese | |
| Poesia/General | O Grande Mostrengo | 6 | 612 | 04/23/2009 - 17:05 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Pó da Memória | 3 | 586 | 04/21/2009 - 13:11 | Portuguese | |
|
|
Fotos/Naturaleza | Human plant | 2 | 1.134 | 04/13/2009 - 16:07 | Portuguese |
| Prosas/Drama | Frio | 2 | 871 | 02/09/2009 - 19:13 | Portuguese | |
| Prosas/Pensamientos | Domínios do Nada | 2 | 791 | 02/08/2009 - 18:43 | Portuguese | |
| Prosas/Otros | Rascunho de um Sorriso | 2 | 685 | 11/16/2008 - 21:13 | Portuguese |
- « primera
- ‹ anterior
- 1
- 2
- 3
- 4






Comentarios
Re: Nada
Muito obrigada :D
Beijinhos!
Re: Nada
Perfeito
"Que as correntes correm irrevogáveis e sempre do principio para o fim, de mim, para mim, mas não por mim."
Já o tinha lido no teu blog e adorei, aqui vou adicioná-lo aos favoritos
Bjo