A Filha de Maria Angu– Ato primeiro - Cena VI

Cena VI

< Bitu >

Bitu (Só.) - Com que então ela casa-se... apesar de todas as suas promessas, apesar do juramento, que lhe fiz, de matar-me, se se ligasse ao paspalhão do barbeiro! Olhem que é mesmo um paspalhão! Mas, enfim, louvado Deus, não me hão de faltar consolações, e, para prova, aqui está uma cartinha que acabo de receber pelo correio. (Lendo.) “Senhor Ângelo Bitu. Uma pessoa que vela pelo senhor e se desvela pelo seu bem estar, espera que depois d’amanhã se ache no Largo do Rossio, na Corte, às quatro horas da tarde, junto ao quiosque que fica em frente à Rua do Sacramento, e siga a preta velha que lhe disser: venho da parte daquela que se desvela pelo senhor”. (Declamando.) E com tanta vela estou às escuras! Não importa! Tomarei o trem das dez... Naturalmente esta carta é escrita por uma mulher... (Cheirando a carta.) Isto não é cheiro de homem...

Rondó

- Eu gosto muito da Clarinha,

Mas não devo me entristecer,

Pois quero crer que esta cartinha

Consolação vem me trazer.

Este perfume capitoso

Revela esplêndida mulher,

Que, desejando arder em gozo,

Nos lábios seus, meus lábios quer!

Eu gosto muito da Clarinha,

E ser quisera o esposo seu;

Digam porém, se é culpa minha

Coisa melhor baixar do céu!

- Esta carta misteriosa

Me pôs, confesso, o juízo a arder!

A mão que fez tão bela prosa

Ansioso estou por conhecer!

Eu gosto muito da Clarinha;

Ela, porém, vai se casar...

Passou-me o pé a Sinhazinha,

Hei de lhe o pé também passar!

De mais a mais este mistério

o meu espírito agitou!

Para saber se o caso é sério,

No trem das dez à Corte vou.

Mas deixe estar, Dona Clarinha,

Que, se me passa agora o pé,

Um belo dia será minha,

Ligada embora ao Barnabé!

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Miércoles, Abril 15, 2009 - 22:13

Poesia Consagrada :

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ArturdeAzevedo

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