Casimiro de Abreu : Juriti

Na minha terra, no bulir do mato,
A juriti suspira;
E como o arrulo dos gentis amores,
São os meus cantos de secretas dores
No chorar da lira.

De tarde a pomba vem gemer sentida
À beira do caminho;
— Talvez perdida na floresta ingente —
A triste geme nessa voz plangente
Saudades do seu ninho.

Sou como a pomba e como as vozes dela
É triste o meu cantar;
— Flor dos trópicos — cá na Europa fria
Eu definho, chorando noite e dia
Saudades do meu lar.

A juriti suspira sobre as folhas secas
Seu canto de saudade;
Hino de angústia, férvido lamento,
Um poema de amor e sentimento,
Um grito d’orfandade!

Depois... o caçador chega cantando.
À pomba faz o tiro...
A bala acerta e ela cai de bruços,
E a voz lhe morre nos gentis soluços,
No final suspiro.

E como o caçador, a morte em breve
Levar-me-á consigo;
E descuidado, no sorrir da vida,
Irei sozinho, a voz desfalecida,
Dormir no meu jazigo.

E — morta — a pomba nunca mais suspira
À beira do caminho;
E como a juriti, — longe dos lares —
Nunca mais chorarei nos meus cantares
Saudades do meu ninho!

Submited by

Sábado, Mayo 23, 2009 - 22:18

Poesia Consagrada :

Sin votos aún

CasimirodeAbreu

Imagen de CasimirodeAbreu
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 15 años 10 semanas
Integró: 05/23/2009
Posts:
Points: 234

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of CasimirodeAbreu

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Juramento 0 595 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Perfumes e amor 0 914 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Segredos 0 526 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Clara 0 614 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Dedicada Casimiro de Abreu : A valsa 0 1.702 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Borboleta 0 499 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Quando tu choras 0 791 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Canção do Exílio 0 675 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Minha Terra 0 497 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Saudades 0 473 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Canción Casimiro de Abreu : Canção do Exílio 0 1.701 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Minha Mãe 0 722 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Rosa Murcha 0 924 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Juriti 0 589 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Meus oito anos 0 566 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : No álbum de J. C. M. 0 1.082 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : No Lar 0 525 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Moreninha 0 784 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : Na rede 0 567 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/General Casimiro de Abreu : A voz do rio 0 631 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Novela Casimiro de Abreu : Carolina – Capítulo I : Adeus 0 1.610 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Novela Casimiro de Abreu : Carolina – Capítulo II: Caiu! 0 1.548 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Novela Casimiro de Abreu : Carolina – Capítulo III : A Volta 0 1.321 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Novela Casimiro de Abreu : Carolina – Capítulo IV : Deus 0 1.417 11/19/2010 - 15:54 Portuguese
Poesia Consagrada/Novela Casimiro de Abreu : Carolina – Capítulo V : Perdão 0 1.411 11/19/2010 - 15:54 Portuguese